A Festa Escolar do 9 de Março continua a encarnar “o objectivo e missão” que presidiram à criação da Sociedade Martins Sarmento (SMS). Foi assim que o Presidente da Direcção da centenária instituição cultural vimaranense justificou a celebração anual do aniversário de Francisco Martins Sarmento, com uma homenagem aos professores e alunos das escolas públicas de Guimarães.
Na sessão solene realizada na noite da passada segunda-feira, no culminar da entrega dos prémios de mérito escolar atribuídos aos alunos do 4º ano e 9º ano dos diferentes Agrupamentos de Escolas, estudantes do secundário e do ensino superior, Antero Ferreira destacou a evolução do ensino ao longo dos 144 anos de realização desta iniciativa, enumerando as escolas que participaram na primeira festividade: Guimarães, São Torcato, São Martinho de Sande, São João das Caldas, São Miguel das Caldas, Nespereira, São Jorge de Selho, São João de Brito e S. Lourenço de Sande. “Destas nove escolas, só quatro possuíam classes femininas”, observou, ao dar conta que a Sociedade Martins Sarmento ainda não tinha sede adequada, e o seu Presidente, José Sampaio, referiu que a “Festa Escolar se destinava a afirmar a existência da jovem Instituição que tinha no seu programa a protecção “da criança pobre, para quem a instrução era um fruto proibido; criar escolas de instrução secundária e profissional; estabelecer uma Biblioteca Pública; organizar exposições industriais, conferências e publicações periódicas que espalhem entre os trabalhadores conhecimentos verdadeiramente práticos e úteis”.
“Sobre os prémios, José Sampaio afirmava que a importância não estava no seu valor, mas na consagração que era concedida pela Assembleia que participava na cerimónia”, observou Antero Ferreira, ao realçar que “ontem como hoje, esta afirmação continua válida: o que os milhares de premiados que passaram nesta casa ao longos dos anos recordam e valorizam, mais do que o diploma ou o livro que receberam, é a honra de terem sido distinguidos publicamente na Sociedade Martins Sarmento”.
“A generosidade e orientação de FMS, bem como o dinamismo de uma brilhante geração de vimaranenses que se sucederam na Direcção da Instituição, vieram ampliar os seus horizontes iniciais. Se a SMS teve um papel fundamental no desenvolvimento do ensino em Guimarães, nomeadamente na criação da Escola Industrial Francisco de Holanda e, mais tarde, na criação do Liceu de Guimarães, actual Escola Secundária Martins Sarmento, tornou-se, também, uma referência nacional e internacional nas áreas da Arqueologia, da História, da Arte e da Cultura”, frisou, felicitando os alunos e seus familiares pelos êxitos académicos, que resultam de muito esforço e dedicação.
O Presidente da Direcção recordou que a SMS “é uma associação, fundada em 1881, por um grupo de destacados vimaranenses, com um objetivo de homenagear o sábio arqueólogo Francisco Martins Sarmento, que já tinha, nessa altura, granjeado um grande reconhecimento nacional e internacional pelas suas descobertas na Citânia de Briteiros, a missão, era a promoção da «instrução popular», como então se dizia, ou seja, a tentativa de generalizar o acesso à educação, num país em que a esmagadora maioria dos habitantes era ainda analfabeta”.
“Logo em 1884, a fundação da Revista de Guimarães, publicação científica da Sociedade, foi um importante passo nessa afirmação. Nos dias de hoje, mantém-se esta orientação, através da gestão de espaços como o Museu Arqueológico Martins Sarmento, do Museu da Cultura Castreja, da Citânia de Briteiros ou do castro de Sabroso, mas também através das imensas atividades que organiza ao longo do ano, da sua Galeria de Arte e do seu Arquivo e Biblioteca – espaço de estudo sempre aberto aos investigadores e estudantes que nos procuram”.
Referindo-se ao patrono da Instituição que assistiu à primeira Festa Escolar, Antero Ferreira revelou que nessa cerimónia o Presidente da Câmara, António Coelho Mota Prego, considerou: “o herói de Guimarães, não é um guerreiro de espada e elmo, que conquistasse o amor do povo vimaranense abrindo caminho por entre fileiras de inimigos, mas, Francisco Martins Sarmento, que não é um general, é um sábio, que nunca empunhou uma espada, mas cultivou sempre a literatura e a ciência”. Lembrou ainda o agradecimento expresso por Francisco Martins Sarmento à iniciativa, publicado na imprensa da época que a Instituição conserva: “Que este entusiasmo não arrefeça; que cada um na sua especialidade cumpra com os deveres que o culto pela justiça e pela ciência lhe impõe; e dentro de alguns anos nós todos havemos de sentir-nos imensamente mais fortes e mais satisfeitos de nós mesmos”.
Em representação do Município, a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira elogiou o esforço e dedicação dos alunos distinguidos com o prémio escolar, sublinhando a importância do seu contributo para um futuro mais promissor, valendo-se dos alicerces do conhecimento para tornar o mundo melhor.
Na sessão solene, Amílcar Guerra, Professor Catedrático emérito da Universidade de Lisboa, proferiu uma conferência intitulada “Viriato, de bandido a herói: as visões contraditórias das fontes clássicas”, sendo igualmente o autor de um dos textos da nova edição da revista infanto-juvenil 9| Revista de Guimarães Júnior, na qual se publicam algumas notas sobre o mítico chefe lusitano.
Os premiados receberam o 4º número desta revista, publicação que integra os trabalhos premiados nos concursos de ilustração e de crónica.
Simultaneamente, a exposição documental “Viriato, líder lusitano na memória coletiva do Ocidente”, na galeria dos passos perdidos da SMS, reúne composições literárias que, ao longo do tempo, foram evocando a figura do herói mítico. A exposição estará aberta ao público até ao dia 19 de abril.
Publicado em: 10/03/2026