O treinador do Moreirense, Vasco Botelho da Costa, esteve na sala de imprensa do Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas para a antevisão do encontro com o Nacional. A partida da 25ª jornada da Liga realiza-se este sábado, pelas 15h30, em Moreira de Cónegos.
É um jogo especial porque o Moreirense pode selar a manutenção diante dos seus adeptos?: “Sim, sem dúvida. Especial por jogar em casa. Especial porque o grande objetivo da época estar em aberto. Mas nós olhamos é para os 37, não é para os 35. É a nossa forma de estar. Acreditar que podemos ganhar todos os jogos. É bom estar de regresso a casa, um sítio onde nós somos muito fortes, inde nós gostamos muito de jogar. Os nossos adeptos têm-nos dado um apoio incrível ao longo da época. E, portanto, estamos muito felizes com isso.”
O que espera do Nacional?: “Um jogo que vai ter aqui alguma continuidade do jogo da semana passada. Do ponto de vista tático, o Nacional é uma equipa um pouco mais versátil, os jogadores têm um pouco mais de mobilidade. Mas, o grande objetivo deles é muito explorar a profundidade, é uma equipa que força muito a linha defensiva. Eu gosto muito do trabalho do Tiago, acho que ele tem demonstrado uma competência fantástica ao longo dos últimos anos. É um treinador muito difícil de defrontar porque depois tem sempre ali algumas nuances estratégicas que tornam o jogo ainda mais difícil. É daqueles jogos que nós nunca podemos sentir ou nunca vamos conseguir sentir que o jogo está verdadeiramente controlado porque a qualquer momento a bola está perto da nossa baliza e nós estamos em cheque. Seguramente que vai ser um adversário muito grande para nós. Mas, como eu disse no início, acaba por ser interessante porque eu penso que já tivemos um jogo desses na semana passada, onde tínhamos que estar constantemente a duelar pela bola, a ganhar a primeira, a ganhar a segunda. Tínhamos de estar muito concentrados e não estivemos, foi também sobre isso que trabalhámos. Porque, seguramente, se tivermos as desatenções que tivemos na semana passada vamos passar mal no jogo.”
E de que forma é que pretende causar danos ao Nacional, que pode defender de formas distintas?: “Merece muita interpretação da nossa parte. Agora, ambas as situações nós já defrontámos. Portanto, nenhuma delas é nova, digamos assim. E, portanto, isso, como é óbvio, do ponto de vista tático, exige que nós tenhamos aqui alguma bagagem para conseguir contrariar. Seguramente que não será esse o principal problema, mas sim o foco, a concentração, a nossa capacidade e predisposição para ganhar duelos. E, depois, também a capacidade que nós teremos, seguramente, para conseguir controlar o jogo com bola. Porque tudo será mais fácil se nós conseguimos ter bola e mandar no jogo e dar seguimento àquilo que fizemos na semana passada, que foi um jogo muito interessante a nível de posse de bola da nossa parte.”
Os pormenores também podem ser fundamentais neste jogo?: “Nós estamos a jogar uma Liga onde o mínimo detalhe faz a diferença. O nível dos plantéis é muito semelhante. Não há diferenças estrondosas entre plantéis. Tem sido sempre um desafio muito grande para nós defrontar estes treinadores, ainda para mais numa segunda volta, onde já temos um jogo da primeira volta para nos basear. E, portanto, tem sempre que haver algo diferente de uma volta para a outra. Nós sabemos que é essa a resposta que nós temos que dar. É esse o nosso crescimento. E se tiver que olhar para trás para estes meses, tenho indiscutivelmente que estar extremamente agradado com o nosso desempenho, com o nosso processo, com tudo aquilo que a nossa equipa apresenta cada vez que entra em campo. Mas também se quisermos ter a ambição de poder olhar um pouco mais para cima e perceber porque é que se calhar não estamos a conseguir fazer a diferença principalmente nos duelos com frontes diretas com as equipas de cima, tem muito a ver com esse pormenor. Tem muito a ver com esse duelo que num momento certo nós não ganhámos, com a decisão errada em que fizemos o penálti. E é aí que nós temos que incidir muito. Mas lá está. É trabalhável sim, mas ao mesmo tempo também vem muito com a experiência. E, portanto, precisamos de jogo e de jogo e de jogo para continuar a crescer.”
Como é que vê esta renovação do contrato do Afonso Assis?: “O Assis encaixa que nem uma luva naquilo que é este projeto do Moreirense e esta mudança que nós estamos a assistir no panorama geral do clube. Ainda para mais formado em nossa casa, português, e, portanto, como é óbvio, é algo que eu vejo com agrado. Está a fazer o seu desenvolvimento, umas vezes joga a titular, outras vezes não joga, acaba por ser interessante também para o desenvolvimento dele. Uma posição onde temos duas soluções de muita qualidade, mas soluções diferentes, e, portanto, isso aumenta também aqui um bocadinho a competitividade dentro da própria posição. Estamos muito satisfeitos por ter conseguido prolongar o contrato do Afonso. Acreditamos muito nele e, fundamentalmente, acreditamos muito no projeto que temos vindo a desenvolver.”
O desfecho da semana de aniversário pode ser especial com uma vitória?: “Em relação à questão do presente de aniversário, como é óbvio, ficava contente com a vitória, mas não era preciso ter sido o meu aniversário, porque nós queremos muito ganhar jogos. E eu acho que para sermos exatamente eternamente insatisfeitos, não podemos estar aqui a pensar nem em duas semanas, como eu digo muitas vezes, quanto mais daqui a dois ou três meses. Neste momento, aquilo que está ao nosso alcance são os 37 pontos. Esses 37 pontos iriam garantir que o nosso objetivo era atingido e depois de o atingirmos, logo teremos tempo para redefinir novas metas, porque para já ainda falta atingir.”
Acredita que terá pela frente um adversário animicamente em baixo?: “Para ser justo, é capaz de ser a equipa que mais surpresa me causa por não estar a conseguir traduzir em resultados aquilo que apresenta. Como eu disse, sou fã do trabalho do Tiago, acho que ele tem feito um trabalho fantástico. A equipa demonstra muita competência nos diferentes momentos do jogo e quando assim é, eu acredito que as equipas estão muito mais próximas de ganhar. E portanto, se eu tiver que identificar um dos pontos fortes da equipa nacional é sem dúvida a competitividade.”
Publicado em: 06/03/2026