Nas eleições de 12 de outubro de 2025, a vila de Lordelo virou à direita, num feito histórico desde as primeiras eleições autárquicas em regime democrático. O projecto da Coligação Juntos Por Guimarães, liderado pelo arquitecto José Miguel Reis, de 40 anos, conseguiu a proeza de mudar a cor partidária na freguesia situada no extremo sul do Concelho.
“Sentia que merecíamos mais, de uma evolução. Somos uma vila que estagnou com a pouca oferta de habitação, com atractividade reduzida, na periferia do Concelho, um bocadinho discriminada”, começou o explicar o Autarca, ao ser questionado sobre a motivação que o levou a liderar a candidatura que mereceu a confiança da maioria dos eleitores da Vila.
Com um percurso de intervenção partidária iniciado em 2009 na Assembleia Municipal de Guimarães, José Miguel Reis faz questão de sublinhar que o seu interesse sempre foi o desenvolvimento da área geográfica que tão bem conhece e que lhe toca o coração: Lordelo e aquela zona Sul do Concelho, atravessada pela EN 105 e pela Linha de Guimarães. “Sempre procurei estar atento e com a minha intervenção cívica despertar a governação autárquica para os problemas que afectam as populações das freguesias mais periféricas do Concelho”, frisou, ao reconhecer que desde a juventude procurou estimular o exercício de cidadania.
Numa análise à vitória eleitoral, o Autarca observa que “foi um percurso longo, consistente ao longo dos anos na defesa dos interesses de Lordelo e que mereceu a confiança da população que nos concedeu a oportunidade de governar”.
Para o mandato iniciado há dois meses, o Presidente da Junta diz que procurará “fazer o melhor que sabe e pode por Lordelo”, executando o programa eleitoral que foi elaborado após a identificação de dois problemas estruturais: a falta de atractividade da freguesia e por consequência a falta de fixação da populacional.
“Em termos estruturais, o nosso objectivo é a médio prazo conseguir intervir em algumas vertentes, nomeadamente a construção. Lordelo é uma das poucas freguesias que não tem construção em altura, como vila penso que é caso único em Guimarães! É determinante o surgimento de uma maior oferta atendendo à posição geográfica que tem para estimular a fixação de população, evitando a saída de jovens casais para os concelhos vizinhos, e assim gerar outras dinâmicas na Vila”, elencou o Autarca.
A melhoria da oferta do serviço de transportes é outra das necessidades já sinalizadas. “A ligação ao centro e outras zonas do Concelho é diminuta e temos de ter outra evolução neste sentido”, defendeu, acrescentando também o seu empenho no reforço da posição na Escola, o incremento da limpeza do espaço público para enaltecer “o brio na freguesia”.
No sentido de conseguir concretizar os seus intentos, o Presidente da Junta de Lordelo defendeu a necessidade de implementar o projecto de centralidade da vila. “É um ponto essencial! Existe um projecto que não está orçamentado e que precisa que seja dado o passo seguinte para que seja concretizado!, destacou, ao referir que a sua preocupação ao iniciar funções foi “olhar para os projectos e definir uma estratégia para começar a construí-los para daqui a quatro anos se não estiverem todos em execução, pelo menos que tenham já um caminho trilhado para que sejam uma realidade no mais curto espaço de tempo, porque consideramos que são fundamentais para o desenvolvimento e afirmação de Lordelo, proporcionando às nossas gentes a concretização do nosso compromisso eleitoral”.
Reconhecendo que o território possui recursos que podem ser potenciados atendendo à forte vocação industrial, José Miguel Reis não esconde que a EN 105 é um eixo viário com muita pressão do tráfego automóvel e que precisa de uma beneficiação e estruturação, aproveitando ainda para enaltecer o ambiente cultural singular existente na Vila que tem um pólo da biblioteca Raul Brandão, a Casa das Artes e até o Largo dos Poetas, lugar que merece uma visita quem sabe acompanhada de um passeio pelo parque de lazer ou ao alto do Pio IX, onde existe um dos marcos geodésicos do Concelho.
*Texto publicado na edição de 7 de janeiro de 2026 do jornal O Comércio de Guimarães.
Publicado em: 20/01/2026