Um conjunto de instituições de Guimarães anunciou que irá assinalar, no próximo sábado, 6 de Dezembro, os 840 anos da morte de D. Afonso Henriques, sublinhando a necessidade de reforçar o papel “fundador do primeiro rei na afirmação da independência portuguesa”. A iniciativa ganha particular relevância num momento em que se aproximam os 900 anos da Batalha de S. Mamede, em 2028, um marco que as entidades locais consideram fundamental para a celebração formal dos “900 anos de Portugal”.
A conferência de imprensa do programa contou com intervenções do presidente da Grã Ordem Afonsina (GOA), Florentino Cardoso, que defendeu um reposicionamento histórico e simbólico da data da independência portuguesa. Para o responsável, “Portugal nunca perdeu a independência” durante o período filipino, argumentando que a união com Espanha constituiu apenas “uma união pessoal” e não “uma união real”. Nesse sentido, considera que “não faz sentido celebrar a restauração da independência em 1 de Dezembro”.
Florentino Cardoso sublinhou ainda a importância de “proclamar D. Afonso Henriques como autor da independência”, defendendo uma linguagem “clara, directa e compreensível para o povo”, especialmente no horizonte das comemorações de 2028. “Portugal faz 900 anos em 2028. Esta é a linguagem que o povo entende”, afirmou.
Outra das preocupações expressas foi o “envolvimento da Igreja” nas comemorações oficiais, destacando três eixos. O primeiro faz referência à “relevância histórica” da arquidiocese de Braga e dos seus primeiros arcebispos na consolidação do território. O presidente da GOA frisou ainda a tradição mariana, lembrando Guimarães como «Terra de Santa Maria» e a antiga devoção a Santa Maria da Oliveira, primeira padroeira do reino e a valorização de Santo Teotónio, apontado como o primeiro santo português e figura próxima de D. Afonso Henriques.
“Preparar as comemorações dos 900 anos de Portugal sem a Igreja não faz sentido”, afirmou Florentino Cardoso.
O presidente da Grã Ordem Afonsina destacou também a importância da “lusofonia”, recordando a célebre frase de Fernando Pessoa — “A minha pátria é a língua portuguesa” — como fundamento cultural para o envolvimento dos países de língua portuguesa nas celebrações.
A conferência incluiu ainda a apresentação do programa pelo presidente da Associação Veteranos Lanceiros de Portugal, Fernando Rego, que enfatizou o simbolismo militar da iniciativa. Fernando Rego anunciou um desfile com guarda de honra, deposição de coroas de flores, participação de cavaleiros e a “condecoração simbólica de uma viúva de um militar português” falecido no Ultramar.
O Dirigente manifestou preocupação ainda com o estado do “monumento a D. Afonso Henriques”, esperando que a espada da estátua esteja reposta até ao dia do evento.
Fernando Rego apelou ainda aos vimaranenses para se associarem à efeméride. “Nós somos Portugal, cada um de nós é Portugal. E temos de sentir isso dentro do nosso peito, não apenas aqueles que serviram a pátria como militares, mas todos nós, quando nascemos, somos portugueses, nascemos aqui na nossa pátria lusitana”, atirou.
As entidades envolvidas apelam à participação da comunidade e reforçam que este programa é apenas o início de um ciclo que pretendem ver reconhecido como central para as celebrações dos 900 anos de Portugal.
Programa oficial das comemorações
10h30 – Homenagem a D. Afonso Henriques na Colina Sagrada
11h00 – Porto de Honra e visita ao Museu Militar da Casa do Lanceiro
11h30 – Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos do Seminário de Braga
12h30 – Cerimónia no Memorial “Aos Lanceiros de Portugal”
13h00 – Almoço de confraternização
16h30 – Missa solene na Igreja do Carmo, por intenção de D. Afonso Henriques e dos antigos alunos dos seminários de Braga, presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo Emérito de Braga.
Publicado em: 02/12/2025