Os Insane Guys, grupo de apoio ao Vitória, vai boicotar o jogo da Taça da Liga com o FC Porto, marcado para a noite da próxima quinta-feira, no Estádio do Dragão.
Em comunicado, aquele grupo de apoio explicou os motivos em que sustentam esta decisão.
“O grupo Insane Guys informa que não estará presente no encontro da Taça da Liga entre o FC Porto e o Vitória SC, reforçando a decisão de boicote tomada no passado.
A intenção de internacionalizar a Taça da Liga foi, no passado, o principal motivo para a nossa posição. Considerámos inaceitável que uma competição nacional pudesse ser disputada fora de Portugal, afastando ainda mais os adeptos das bancadas.
A recente confirmação de que essa medida foi abandonada demonstra que a voz dos adeptos tem impacto. Reconhecemos esse passo e valorizamos a sua importância mas, apesar da mudança, o problema de fundo permanece.
A Taça da Liga continua a representar um modelo de futebol que não respeita os adeptos, os clubes, nem o valor cultural do jogo.
Persistem:
– um formato reduzido e excludente, que ignora grande parte do futebol português;
– horários, deslocações e calendários pensados sem qualquer consideração pelo público;
– uma competição sem identidade, sem ligação às bancadas e sem relevância desportiva;
– uma tendência crescente para transformar o futebol num produto comercial, desvalorizando quem o vive diariamente.
Apesar da queda da internacionalização, a lógica que a tornou possível continua activa: um futebol onde o adepto é consumidor, não parte integrante; um futebol que corre o risco de perder a sua essência.
Por isso, afirmamos com coerência: o boicote mantém-se, porque o que contestamos vai além de um jogo ou de uma decisão isolada.
Sublinhamos que este protesto não é contra o Vitória SC. Pelo contrário, é pela defesa das condições de quem o acompanha em todo o lado.
Queremos um futebol mais justo, mais representativo, mais próximo das pessoas.
Queremos bancadas vivas, participativas e respeitadas.
Queremos que o adepto seja ouvido antes de ser ignorado.
Além disso, este protesto assume-se também como um mote para a mudança legislativa que defendemos para o futuro, no sentido de garantir maior protecção, dignidade e participação efectiva dos adeptos no panorama desportivo nacional.
Sabemos que nem todos vêem esta competição da mesma forma e que muitos a consideram menor, mas é precisamente por ser uma prova frágil que se tornou o terreno mais evidente para afirmar um limite.
Tal como sucedeu com o Cartão do Adepto, já provámos que a união pode travar decisões que pareciam irreversíveis. Hoje, mais uma vez, temos a oportunidade de mostrar que os adeptos continuam a ser parte essencial do futebol português.”
Publicado em: 28/11/2025