Afonso Assis acredita que o Moreirense tem capacidade para lutar pelos lugares do primeiro terço da tabela classificativa.
A primeira missão passa por garantir a permanência na Liga, mas depois da concretização desse objetivo, o jovem médio entende que há qualidade no plantel para dar um salto qualitativo. Afonso Assis tem sido opção para Vasco Botelho da Costa, mas ainda não se afirmou como titular. O médio espera a oportunidade para jogar com maior assiduidade.
Muito do sucesso da integração destes jogadores que chegaram agora, também tem a ver com o plantel que transitou da época passada?: “Nós temos uma equipa muito unida, muito forte. Vocês não têm noção, mas fora do campo, no balneário, nós somos uma família, somos muito unidos, isso também é uma das grandes peças para o nosso sucesso.”
Quando é que pode surgir a afirmação total no Moreirense com titularidades na Liga?: “Isso pode acontecer a qualquer altura, a única coisa que eu tenho que fazer é mostrar que sou uma opção válida. Quando me derem essa oportunidade, tenho que mostrar que estou lá para ficar. Mas, isso não sou eu que decido, isso pode acontecer a qualquer altura.”
Até porque a concorrência é muito forte no meio-campo do Moreirense…: “Temos uma equipa com muita qualidade, um meio-campo que tem muita qualidade, todos os jogadores são boas opções. No geral, é uma equipa muito boa, isso é sempre bom para a competitividade nos treinos, ajuda o mister a escolher e saber que pode contar com todos os jogadores.”
E qual é aquele jogador em que mais se revê neste plantel? Aquele que tenta mais acompanhar?: “Quando cheguei ao plantel, uma das coisas que me disseram para fazer foi não só para desfrutar do treino, mas também para tentar ver o que eles fazem, para aprender, porque eles certamente têm mais experiência que eu. Quando cheguei ao grupo no ano passado, olhava muito para o Ofori, tentava perceber o posicionamento dele, a maneira que ele jogava, o que ele fazia, que certamente tinha mais experiência que eu. Então ele é um dos jogadores que eu tento sempre observar para aprender. Mas, no geral, são todos os jogadores.”
Este crescimento permitiu-lhe ainda chegar à Seleção Nacional sub-20? São muitos sonhos concretizados ao mesmo tempo?: “Foi tudo muito rápido. Estou muito grato por isso. Nunca pensava, há alguns meses, estar na equipa principal do Moreirense, mas também nunca pensava estar a representar a minha Seleção. Foi uma experiência incrível. Estive lá para desfrutar, para aproveitar, para sentir o que era vestir a camisola de Portugal. E agora é continuar a trabalhar para ver se posso alcançar novos sonhos, como por exemplo jogar nas equipas mais acima, por exemplo, nos sub-21, na Seleção A, voltar aos sub-20.”
Ficou sempre essa vontade de voltar a estar lá?: “É um sentimento incrível. Temos os olhos todos em cima de nós, é uma coisa fenomenal.”
De alguma forma, quando chegou à Seleção sub-20 sentiu que representou o trabalho que é feito por tanta gente no departamento de formação de Moreirense?: “Claro, porque há um grande trabalho que se faz neste clube todos os dias com imensos jovens jogadores. Sabia que era dos poucos a chegar à Seleção sub-20 como jogador do Moreirense, um marco importante para o clube. Sabia que tinha que representar o Moreirense, mas isso não me afectou negativamente ou criou qualquer pressão negativa. Estava lá só para aproveitar, para desfrutar, para representar o Moreirense, para mostrar que o clube tem uma formação de qualidade, tem bons jogadores. Era esse o meu principal objectivo.”
O Moreirense foi uma das equipas sensação do primeiro terço da temporada. Em que patamar coloca o que a equipa já conseguiu fazer?: “Nós temos feito uma época incrível e claro que queremos sempre mais, sempre mais, sempre mais. O nosso objectivo é ganhar todos os jogos que disputamos, independentemente de contra quem seja. Temos feito um grande começo da época e agora é continuar a lutar para ganharmos mais pontos e chegarmos mais acima na tabela.”
Há algum lugar que vocês tenham em mente que nesta época possam ocupar?: “Nós sonhamos sempre para alto. Temos sempre o nosso objectivo, que passa por assegurar a manutenção, mas nós sonhamos sempre para alto. Quanto mais para cima melhor, top-6, top-5, top-4, não interessa. Quanto mais para cima, sempre melhor.”
Como é que tem vivido os jogos da Liga quando vê tantos jogadores que ainda há pouco tempo admirava como jogador?: “Às vezes ainda me apetece pedir a camisola ou falar com eles, mas sei que tenho que estar concentrado, tenho que estar focado no jogo. Sei que é um sentimento surreal, ainda agora jogo no FIFA com eles. Sei que estou a viver uma coisa que muita gente quer viver, esta oportunidade, mas sei que tenho que agarrá-la e tenho que continuar a trabalhar porque isto é só o começo.”
Esse crescimento tem que ser sustentado por forma a que não haja retrocessos?: “Sim. Isto de criar ilusões ou fazer com que, neste caso, me sinta demasiado pressionado, foi sempre uma coisa que nunca deixaram que me acontecesse, deram-me sempre o conforto total. Estive sempre descontraído, deram-me sempre 100% de confiança, a estrutura, os jogadores, a equipa técnica. Principalmente quando cheguei, os jogadores foram sempre muito acolhedores, receberam-me sempre muito bem, com muita simpatia, foi sempre uma coisa muito tranquila.”
Não podemos fugir do tema, é filho de um jogador que foi internacional português, que jogou no Vitória e no Benfica. Sente o peso do apelido Assis?: “Não sinto tanto esse peso, mas sei que sempre que entro em campo falam de mim como o filho do Nuno Assis. É uma coisa que vou viver a minha vida toda e estou muito grato por isso. É um sentimento muito bom ter um pai que foi jogador, mostra que trabalhou muito. É uma pessoa que em casa também me ajuda muito, sei que tem experiência, sei que percebe o futebol. Principalmente na formação, quando chegava a casa, depois dos treinos, depois dos jogos, sabia que o que ele estava a dizer-me eram coisas certas e iam ajudar-me no futuro. Esse peso do nome vai sempre estar aqui, mas isso é uma coisa que não me afecta, só estou grato por isso.”
O sei pai dá-lhe muitos conselhos? Ainda o ajuda na correção de posicionamentos hoje em dia?: “Ainda me dá alguns conselhos, não me dá tanto quando era mais novo.”
E algumas duras também?: “Claro, quando era mais na formação, o que eu recebia mais eram essas duras. Ele nem me fazia muitos elogios, porque o positivo é sempre bom, mas olhava mais para as coisas negativas porque isso podia ajudar-me a evoluir individualmente. Na formação, como ele via todos os treinos e todos os jogos, recebia sempre umas durinhas, uns pontos negativos para melhorar, mas eu sei que era para o meu bem. Consegui pegar no que ele dizia e evoluir.”
Repetir uma carreira como a do seu pai já o deixaria feliz?: “O melhor era ser melhor ainda, mas claro que se conseguir repetir já ficarei muito feliz. Mas, quanto mais, melhor.”
Vocês são jogadores diferentes, ocupam posições distintas no campo.Lembra-se de o ver jogar?: “Não me lembro muito, vejo agora os vídeos que ele me mostra, tem um disco com os ‘highlights’ que gosta de me mostrar. Aqui em Portugal lembro-me muito pouco, ainda era muito pequeno, lembro-me mais quando ele jogava no Chipre, no Omonia. Era um jogador muito mais ofensivo, era um 10, era muito mais pequeninho, era mais rápido, completamente o oposto de mim, que sou um jogador que joga mais atrás, mais recuado.”
Era um craque…: “Pelo que dizem era craque, sim. (risos). Era um bom jogador, sim.”
Publicado em: 27/11/2025