O triunfo eleitoral retumbante emociona Olívia Fernandes, eleita no passado dia 12 de outubro, para liderar os destinos da vila de Ronfe nos próximos quatro anos.
A candidatura independente “Olívia Fernandes, Os Ronfenses Conhecem-me!”, apoiada pela Coligação por Juntos por Guimarães, venceu as eleições autárquicas com 72,67 por cento dos votos, conquistando uma maioria absoluta folgada na Assembleia de Freguesia, assegurando sete dos 9 mandatos.
Funcionária administrativa na Junta de Freguesia há duas décadas, espera fazer acontecer mais projectos e responder com soluções concretas às necessidades da população da vila, com uma gestão autárquica que privilegiará o “diálogo e a proximidade”.
Para o mandato que representa uma mudança de ciclo político em Ronfe, Olívia Fernandes elenca seis projectos prioritários: encontrar uma solução para a sobrelotação do cemitério, dignificar a casa mortuária, requalificar a estrada municipal 574, resolver os problemas de águas pluviais existentes na freguesia, melhorar a oferta de transportes públicos e criar uma assembleia do associativismo.
No horizonte da Autarca está ainda a tentativa de corrigir alguns aspectos do projecto de requalificação da EN 206, a via que atravessa a Vila, cuja obra da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, está a ser executada. “Estamos a tentar alterar algumas situações que não estão bem definidas e que precisam de ser atendidas por causa da importância desta estrada na acessibilidade à área central e industrial de Ronfe. Temos muitas empresas, há camiões a atravessar diariamente a vila para se dirigirem às várias unidades empresariais que estão a laborar e a requalificação em curso não está a contribuir para a melhoria e facilitação desses acessos. Quero acreditar que as situações identificadas vão ser corrigidas, no sentido de valorizar a intervenção”, adiantou Olívia Fernandes, garantindo que a Junta de Freguesia está “atenta e empenhada para que os problemas sejam ultrapassados antes da conclusão da obra que vai melhorar a acessibilidade, mas que ainda tem lacunas”. “Temos reunido com os responsáveis pela execução deste projecto e confiantes”, acrescentou, revelando que por causa das obras que estão a decorrer algumas habitações sofreram inundações durante os dias de mau tempo, causado devido aos efeitos da depressão Cláudia.
Reperfilar e renovar Estrada Municipal 574
O reperfilamento e beneficiação da Estrada Municipal 574 que liga Gondar a Ronfe é outra das intervenções urgentes “devido ao estado de degradação”. “É uma via onde se registam muitos acidentes, alguns muito graves. A estrada é muito frequentada por pessoas que caminham e que carece de uma intervenção de fundo, bem pensada, com a construção de passeios”, defendeu.
Olívia Fernandes sinalizou também a importância de “resolver uma série de situações que dizem respeito ao escoamento das águas pluviais que precisam de ser orientadas devidamente, para não se verificarem problemas como os registados nos últimos 15 dias que causaram estragos a muitas famílias e acidentes também”. “A Junta em articulação com o Município vai tentar sanar estas situações que se arrastam há anos e quem vive nestes locais acaba por não ter qualidade de vida”, explicou.
A insuficiente oferta do serviço de transportes públicos está na mira da nova Presidente da Junta de Ronfe. “A oferta actual não serve condignamente a população da vila. Há lacunas que com diálogo e uma verificação dos fluxos populacionais no terreno têm de ser ultrapassadas. Há a possibilidade de fazer a ligação dos transportes públicos de uma outra forma, para que a população tenha uma resposta melhor do que aquela que existe”, observou, exemplificando “entre Gondar e a vila de Ronfe temos um autocarro que passa de manhã e outro ao final do dia, quando isto poderia ser adoptado outro trajecto que ligasse Ronfe, Gondar e Guimarães, com mais regularidade”. “São duas freguesias vizinhas e se Gondar tem um serviço de transporte público para os seus habitantes, Ronfe também devia ter a mesma oferta. Não se percebe! O transporte público pode ser analisado e refletido para se tentar encontrar uma solução para que o serviço seja alargado, fazendo com que os estudantes de Ronfe frequentem mais as escolas de Guimarães.
“A vila de Ronfe ficou esquecida porque somos uma vila considerada de periferia, estamos encostados a outro concelho. Somos termo de comparação com Vila Nova de Famalicão, porque há respostas no concelho vizinho que Guimarães não oferece aos ronfenses. Há miúdos que optam por ir para Famalicão no ensino secundário em vez de optarem pelo nosso Município, poderá ser pela vida familiar, mas esses fluxos estão associados às condições de mobilidade”, analisou.
No conjunto das prioridades elencadas para cumprir no imediato, Olívia Fernandes destacou ainda a necessidade de “solucionar o problema do cemitério”. “É uma situação que se arrastou ao longo de 12 anos e que vimos a descobrir através da pasta de transição de que nada evoluiu no sentido de alargar o cemitério. É uma situação delicada, frágil, temos que arranjar uma solução, sabendo-se que é uma necessidade que não se consegue resolver em dois ou três meses. Não houve um avanço no sentido de projectar algo para aqui”, lamentou.
Ainda sem uma decisão final, mas numa fase de evolução mais avançada encontra-se já o projecto da casa mortuária. “O espaço que temos não dignifica a vila. Há um trabalho iniciado porque é um projecto que engloba a junta de freguesia, a paróquia de Ronfe e o próprio Município. Iremos dar seguimento”, assumiu.
A Autarca fez questão de realçar a dimensão do associativismo,com grande expressão na vila de Ronfe. “Neste momento, não há uma ponte de ligação entre todas as colectividades. É nosso propósito unir, ter projectos comuns, parcerias no sentido de evitar a sobreposição de eventos numa mesma data organizados por várias associações quando se poderia através do diálogo elaborar uma espécie de agenda cultural para a vila”, indicou, ao frisar que tem reunido com as associações. “Acho que as pessoas já perceberam a dinâmica e espero concluir este trabalho até ao final do ano porque quero implementar a assembleia do associativismo que irá reunir algumas vezes por ano, no sentido de serem feitas parcerias, com o envolvimento de toda a comunidade”.
Com a gestão autárquica assumida até 2029, Olívia Fernandes fez questão de vincar: “Quero para Ronfe mais do que o simples estatuto de vila. Quero que seja um território agregador nesta área do concelho, um pólo capaz de atrair as comunidades vizinhas pela sua centralidade e uma ampla oferta de serviços, conjugada com equipamentos para a promoção da qualidade de vida”. “Prometi dedicação, coragem e espírito de missão, apresentando soluções concretas para dar mais futuro à vila. As pessoas conhecem-me e é com essa disposição que estou comprometida com a vila de Ronfe”, concluiu.
*Texto publicado na edição de 19 de novembro de 2025, do jornal “O Comércio de Guimarães”.
Publicado em: 23/11/2025