A reunião da Câmara Municipal de Guimarães ficou marcada pela discussão em torno da instalação da CESPU (Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário) nas antigas instalações da Modatex, no Estádio do Vitória, e pelo futuro desta última instituição de formação profissional.
O tema foi levantado pelo vereador socialista Ricardo Costa, que começou por sublinhar que a sua intervenção tinha “duas dimensões: uma de curto prazo e outra de médio-longo prazo”, apelando a uma “visão sistémica” para o desenvolvimento de um “cluster da saúde em Guimarães”.
“Sabemos que a Modatex terminou o contrato de arrendamento no passado dia 31 de Outubro e que é para essas instalações que a CESPU irá agora. A minha pergunta é: o que vai acontecer à Modatex? É importante que continue em Guimarães, porque tem feito um trabalho muito digno e eficaz na formação profissional ligada às necessidades das empresas”, afirmou o vereador socialista.
Ricardo Costa destacou ainda a importância de se pensar numa estratégia integrada para o ensino e a investigação na área da saúde, referindo que Guimarães reúne condições únicas para isso, nomeadamente através do Avepark, do 3Bs Research Group e de empresas spin-off como a Hydrumedical.
“Temos de criar ecossistemas económicos. Quem escolhe Guimarães para estudar saúde deve poder identificar-se com o espaço e com a cidade. Não há segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão”, acrescentou.
Em resposta, o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, esclareceu que a decisão sobre a instalação temporária da CESPU nas antigas instalações da Modatex e a sua futura fixação no Seminário do Verbo Divino resulta de “deliberações tomadas ainda pelo anterior executivo”.
“O protocolo existente já previa que o Verbo Divino fosse o espaço definitivo da CESPU. A utilização temporária das antigas instalações da Modatex foi aprovada na última reunião de Câmara do anterior mandato, para permitir que os cursos possam arrancar já no ano lectivo 2026/2027”, explicou o autarca.
Ricardo Araújo adiantou, no entanto, que a autarquia pretende “rever o projecto do Verbo Divino”, sublinhando que “a Câmara é uma entidade de bem”” e que qualquer alteração ao protocolo será feita em articulação com a CESPU e a ULS (Unidade Local de Saúde), parceiras do acordo.
Sobre o futuro da Modatex, o presidente mostrou-se disponível para encontrar uma solução que permita a continuidade da escola em Guimarães. “Estamos totalmente disponíveis para conversar com a Modatex e encontrar uma solução, se for essa a intenção da entidade. É uma questão que decorre de decisões anteriores, mas estamos abertos ao diálogo”, defendeu.
Ricardo Costa reiterou que o PS votou favoravelmente o ponto em causa, reconhecendo a importância da CESPU para o concelho, mas insistiu na necessidade de “planear estrategicamente o futuro da formação e investigação na saúde”.
“A Modatex é demasiado importante para se perder, e os empresários de Guimarães sabem disso. Espero que haja contacto e uma solução rápida. Quanto à CESPU, devemos repensar as suas instalações futuras à luz da criação de um verdadeiro cluster da saúde em Guimarães”, defendeu o vereador socialista, apontando a solução do Avepark. “Se eu fosse presidente da Câmara Municipal, aquilo que prepararia para o futuro, era ceder um terreno de superfície à CESPU, para que pudesse trabalhar num projecto de arquitectura para instalar definitivamente a CESPU no Avepark, dando continuidade a um cluster da saúde”, concluiu.
O presidente da Câmara concluiu garantindo que haverá “transparência e clareza em todo o processo” e reafirmou que o executivo está “disponível para garantir que a Modatex continue a ter presença em Guimarães”.
Publicado em: 11/11/2025