“António Magalhães foi o Presidente da Câmara da Democracia. Em espaço temporal foi aliás quem exerceu, muito além de qualquer outro, a liderança municipal durante um tempo mais longo em todos os regimes políticos”. É assim que sucintamente Raul Rocha apresenta o carismático Autarca vimaranense, no livro “António Magalhães – o construtor da Guimarães cosmopolita”, apresentado ontem numa sessão realizada ontem, ao início da noite, no Paço dos Duques de Bragança, e que serviu de reconhecimento público pelo seu exemplo de entrega ao exercício de funções públicas.
Rodeado de amigos e da família e de amigos, num ambiente que o deixou sensibilizado, António Magalhães começou por dizer: “ninguém é construtor de coisa nenhuma sozinho”. E fez questão de agradecer “aos vimaranenses e a todos aos que me acompanharam neste processo”, lembrando “aqueles já não estão entre nós, porque foi um privilégio ter privado com essas pessoas e ter contado com elas e com a sua ajuda e sabedoria”.
“Mário Soares, Salgado Zenha, Jorge Sampaio, uma amizade fora do vulgar. Nuno Portas, Fernando Távora, João Serra e a minha querida Francisca Abreu, era uma mulher fora do vulgar que, de repente, ficamos sem ela”, afirmou, emocionado. E continuou, agradecendo aos “vários governos que connosco colaboraram: destaco António Guterres, com quem tive sempre uma excelente relação, não esqueço Cavaco Silva que acompanhou com muita atenção o ano de 2012, em que Guimarães foi Capital Europeia da Cultura”. Um momento em que expressou o reconhecimento também aos funcionários do Município e às pessoas comuns, “sempre tão simpáticas comigo”. “Cometi erros, tenho consciência, mas procurei corresponder ao meu ser e às pessoas que naturalmente me procuravam com grande frequência. Conheci pessoas muito simples da nossa cidade que pediam coisas que a Câmara podia fazer e outras que, às vezes, tive de dizer que não”, recordou, na sua intervenção, em diversos momentos interrompida com aplausos.
“Antes de vir para a Câmara estive nos Comandos, em Angola, e muito daquilo que fui capaz de fazer aqui era proveniente da experiência desse ‘castigo’, dessa vida difícil que conheci em África”, observou, manifestando apreço pela disponibilidade de colaboração que encontrou de figuras influentes da vida política nacional para vingar aquilo que pretendia para Guimarães.
“Hoje, sinto-me um cidadão de Guimarães, embora tenha nascido em Cabeceiras de Basto!”, observou o ex-Autarca, agora com 81 anos, confessando que “a memória já não é o que era”, pedindo compreensão por não ter a fluidez no discurso “que já houve noutra altura, mas é a lei da natureza”. Mesmo assim, de improviso, deixou uma mensagem motivadora: “Força para aquilo que precisam para levarem à prática as vossas pretensões! Só desistem aqueles que forem fracos. Os que tiverem capacidade de aguentar as fragilidades da vida, as suas pretensões são normalmente satisfeitas”.
A sessão contou com a presença do Presidente da Câmara, Ricardo Araújo, que expressou o “agradecimento, em nome do Município e dos vimaranenses em geral ao Presidente António Magalhães. Faço-o com honra e com gosta. Faço-o sendo um daqueles que habitualmente estive no lado oposto do quadro democrático quando o sr. Presidente exerceu funções. Independentemente das divergências, há algo que deve estar acima de tudo isso que é o reconhecimento público àquelas e aqueles que se dedicam ao serviço público e que honraram e dignificaram o exercício da causa pública e de funções públicas”. “Tive o privilégio de conhecer o Dr. António Magalhães quando era muito jovem e iniciei a vida cívica, associativa e política com a força e determinação que é normal quando temos 16, 18, 20 anos, muitas vezes com aquela agressividade que o tempo ajuda a moderar, muitas vezes também com a crítica dura que o tempo também ajuda a moderar, mas já nessa altura reconhecia-lhe a força e determinação que é muito importante e necessária na vida política. O Dr. António Magalhães foi um dos políticos que se destacou pelas suas capacidades de liderança e determinação, acreditava naquilo que fazia e defendia-o com toda a força e isso na vida política é muito importante”, sublinhou Ricardo Araújo, concluindo: “Não há dúvida de que é uma das figuras que ficará na história contemporânea de Guimarães”.
O livro percorre memórias biográficas e acontecimentos e projetos de 24 anos (1990-2013) em que o Município esteve sob a liderança de António Magalhães e da sua visão de abrir Guimarães a Portugal e ao Mundo.
Publicado em: 29/10/2025