O Presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, manifestou o desejo de transformar o “Berço da Nação” no Berço da Inovação, honrando a herança histórica e patrimonial do território concelhio.
No discurso proferido após a tomada de posse, realizada este sábado, no Centro Cultural de Vila Flor, Ricardo Araújo afirmou que inicia o mandato “com humildade e muita esperança”, agradecendo a confiança dos vimaranenses pela “lição de maturidade, cidadania e liberdade” nos deram eleições autárquicas. “Mostraram que a liberdade não é um dado adquirido, é uma conquista diária, de que não abdicam”, disse, sendo constantemente interrompido por aplausos, durante a tomada de posse que constitui um momento de viragem na condução dos destinos do Município após 36 anos de governação socialista.
“Os vimaranenses deram prova que quiseram e souberam fazer escolhas e que nem sempre foram coincidentes, consoante o órgão autárquico. Enganam-se por isso aqueles que consideram que o povo vota sempre nos mesmos e que por isso o poder se eterniza. Estes resultados conferem estabilidade no executivo municipal mas recomendam diálogo e negociação com as oposições na Câmara, na Assembleia municipal, e uma colaboração de proximidade com as Juntas de freguesia de todo o concelho, em verdadeiro espírito democrático e respeito pelas escolhas do povo”, acrescendou, considerando que esse exemplo deverá servir de aprendizagem.
Comprometendo-se a concretizar os compromissos do programa eleitoral, Ricardo Araújo assumiu uma “nova ambição para Guimarães”. “Uma ambição de crescimento, de desenvolvimento, de melhor qualidade de vida para todos os vimaranenses: os que aqui vivem, os que aqui trabalham, os que aqui estudam e sonham. Estamos aqui para iniciar uma jornada comum: a construção de um concelho que honra a sua história, mas que não teme o futuro. Um concelho que respeita o passado, mas que ousa abrir caminho, com confiança, rumo a novas conquistas”, vincou, assinalando o estabelecimento de um pacto: “Guimarães com Futuro, Guimarães com Todos”.
No discurso, o Presidente da Câmara de Guimarães sublinhou o sentido de responsabilidade e a esperança. “Guimarães merece mais — mais ambição, mais inovação, mais coesão. Foi com esta promessa que me apresentei, com esta confiança que me sustenta, que juntos nos mobilizamos para mudar o rumo e para construir um concelho com futuro. Guimarães não é apenas uma cidade ou concelho. É berço — Berço de Portugal, berço da nossa orgulhosa identidade”, destacou, ao salientar que em 2028 será celebrada “com a dignidade e reconhecimento nacional que merecem os 900 anos de batalha de São Mamede, inscrevendo seguramente mais uma bonita página na História coletiva de Guimarães e de Portugal”. “Foi aqui que se firmou a semente do que viria a ser uma nação. Como disse D. Afonso Henriques, “Faze bem e espera” — que é o imperativo de quem toma posse hoje: fazer bem, com determinação, com diligência, e esperar que o fruto venha, mas sem hesitações no desejo e no esforço”, salientou, confessando que “há, de facto, algo de mágico em ser vimaranense — uma força interior que nos leva a superar-nos, a reerguer-nos, a conquistar”.
Na sua intervenção, Ricardo Araújo evocou os seus antecessores, eleitos após o 25 de abril de 1974, lembrando Edmundo Campos, António Xavier, Manuel Ferreira, António Magalhães e Domingos Bragança. Aliás, fez questão de agradecer a Domingos Bragança “todo o trabalho colaborativo neste processo de transição, que decorreu de forma elevada, digna, transparente e responsável, com foco em dar continuidade aos processos existentes, mas também em preparar o futuro do concelho”. Agradeceu-lhe ainda “os muitos anos que dedicou ao serviço da causa pública, porque não tenho dúvidas que sempre dedicou o melhor de si em prol do que entendeu melhor para Guimarães e para os vimaranenses”.
“Transformar Guimarães num Concelho de referência na Europa na área da inovação”
Ao perspectivar o futuro, Ricardo Araújo reafirmou que o concelho precisa “de um Plano Diretor Municipal que aumente significativamente o solo disponível para construção de habitação e implementação industrial no nosso concelho”, considerando o assunto “prioritário porque temos que rapidamente materializar uma estratégia de desenvolvimento territorial em linha com aquilo que prometemos, uma política urbanística mais amiga dos cidadãos e das empresas do nosso concelho e das novas indústrias que se queiram instalar entre nós, mas também um modelo de organização espacial mais planeado, ordenado e funcional, sempre assegurando de forma transversal a sustentabilidade e a qualidade ambiental do concelho”.
Considerando “a habitação é uma emergência social”, o Presidente da Câmara apontou “o desígnio de transformar Guimarães num Concelho de referência na Europa na área da inovação, atrativo para as empresas, que promove a transferência de conhecimento das universidades para a economia, que aposta no desenvolvimento económico para criar mais empregos, empregos mais qualificados, elevar a remuneração média dos vimaranenses, melhorar a sua qualidade de vida, atrair e fixar talento”. “Dinamizar o nosso comércio tradicional, apoiar as indústrias tradicionais do têxtil, calçado, cutelarias, promover o empreendedorismo e atrair novos investimentos em sectores de forte valor acrescentado, exigem uma nova política económica municipal e novos instrumentos”, continuou, vincando que será desenvolvido um Plano Estratégico e criada uma Agência para a Captação de Investimento e Desenvolvimento Económico de Guimarães, dotada dos recursos técnicos e humanos especializados que permita uma relação direta, rápida e flexível entre a autarquia, o mundo empresarial, instituições nacionais e internacionais, para potenciar sinergias e gerar oportunidades para a dinamização da economia vimaranense”.
No seu entender, “a mobilidade é o sangue que irriga a economia e a vida social”, referindo-se à importância de resolver “os problemas de mobilidade, acessibilidades e trânsito é prioritário para a qualidade de vida dos vimaranenses”. “Além do melhoramento da rede viária e do compromisso com uma forte aposta no transporte público, simplificando o acesso, reforçando a cobertura e a frequência, quero reiterar o nosso firme compromisso com a construção de canais dedicados de transporte público, o “Metrobus””, frisou, ao dar conta que “a mobilidade sustentável será uma das nossas marcas”. “O MetroBus, é uma infraestrutura que será muito mais que uma ligação de Guimarães a Braga e à futura estação de alta velocidade: é um símbolo de mudança, uma resposta real, exequível, segura, fiável e confortável às necessidades de ligação da cidade à zona norte do nosso Concelho, que servirá os vimaranenses de várias freguesias ao longo da linha”, prosseguiu.
Numa alusão à Capital Verde Europeia em 2026, Ricardo Araújo prometeu que “será mesmo a melhor Capital Verde Europeia de sempre. Não como um troféu, mas como uma responsabilidade. Porque ser Capital Verde Europeia é mais do que celebrar um título — é agir com integridade, coerência e visão. Desejamos que este seja um momento de festa e celebração, com todos os vimaranenses, numa verdadeira afirmação colectiva”, “com forte envolvimento da Comunidade, para que de Capital Verde Europeia, possamos ser uma Capital Europeia de qualidade de vida, para quem aqui vive, trabalha e estuda”.
Na cerimónia de investidura dos novos órgãos autárquicos, o Presidente da Assembleia Municipal de Guimarães cessante, José João Torrinha, também discursou, partilhando “o gosto e a suprema honra que sentiu” por presidir ao órgão onde se “aprofundou o debate político”, agradecendo a todos os que colaboraram com ele nessa missão.
Após terem sido investidos os 56 deputados eleitos para o órgão deliberativo e os 55 presidentes de junta de freguesia e uniões de freguesia do Concelho (com assento por inerência do cargo), a primeira sessão da Assembleia Municipal do mandato 2025-2029 vai retomar os trabalhos na próxima sexta-feira.
A nova vereação também foi empossada, sendo constituída por seis vereadores da Coligação Juntos por Guimarães. Foram investidos para além do Presidente da Câmara, Eduardo Leite, Vânia Dias da Silva, Constantino Veiga, Alberto Martins e Isabel Ferreira.
Em representação do PS tomaram posse Ricardo Costa, Gabriela Nunes e Flávio Freitas. Sérgio Silva não pode comparecer na sessão e tomará posse na primeira reunião do executivo. Nuno Vaz Monteiro tomou posse após ter sido eleito pelo Chega.
Na cerimónia, ouviu-se o “Hino de Guimarães” e o “Hino de Portugal” numa interpretação de Marisa Oliveira acompanhada ao piano por Simão Neto.
Publicado em: 25/10/2025