A Real Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e dos Santos Passos procedeu à bênção e inauguração do pedestal e imagem do Apóstolo São Tomé, no âmbito do projecto de monumentalização do jardim do Largo República do Brasil. A escultura construída de raiz “com pedra de Guimarães” foi integralmente suportada pelo Município.
Com a presença do Secretário de Estado Adjunto da Presidência e Imigração, o vimaranense Rui Armindo Freitas, do Presidente da Câmara Município de Guimarães, e demais individualidades convidadas, a cerimónia começou com um cortejo na igreja da Instituição em direcção ao pedestal com a imagem onde foram colocados os respectivos atributos de São Tomé: a lança e a auréola dourada.
Após o ritual da bênção feita pelo Vigário de Culto, Padre Henrique Ribeiro, o Provedor da Real Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e dos Santos Passos agradeceu ao Presidente da Câmara por ter correspondido ao repto lançado pela Instituição no início das comemorações dos 430 anos da sua fundação, momento que coincidiu com a celebração do restauro das imagens de outros Apóstolos existentes naquele conjunto edificado.
“Para que o projecto fique concluído faltam-nos ainda cinco imagens”, observou José Couceiro da Costa, lançando o desafio a outras instituições e até empresas para que ao abrigo da Lei do Mecenato possam colaborar com o desígnio patrimonial. “Ao ajudar, estão a ajudar a comunidade, porque o lema desta Real Irmandade é “servir Deus e a Comunidade”.
“Este é um dia verdadeiramente feliz. Isto não era possível sem o labor e a arte do mestre José Silva que executou com uma mestria ímpar a imagem e o pedestal que estamos a ver! Gente de Guimarães, pedra de Guimarães, uma obra magnífica”, frisou o responsável, ao justificar que Real Irmandade procurou-se seguir “a mesma gramática discursiva do ponto de vista artístico das demais estátuas”, realçando ainda o trabalho do conservador André Assis no “douramento dos atributos próprios de São Tomé”.
O Presidente da Câmara assumiu ter sugerido a colocação da imagem de São Tomé, justificando-a com o simbolismo que está associado à dúvida e subsequente fé profunda, associada à expressão “ver para crer”, numa alusão ao episódio bíblico em que o apóstolo Tomé não acreditou na ressurreição de Jesus Cristo até ver as chagas e tocar no seu corpo ressuscitado. Domingos Bragança apontou para a dimensão actual dessa mensagem, sublinhando a importância de questionar e verificar a veracidade das informações faltas que circulam principalmente nas redes sociais, combatendo através do conhecimento a desinformação. O Edil observou ainda que a escolha não foi indiferente ao facto de residir em Abação São Tomé, freguesia onde nasceu a sua mãe.
Uma semana antes de passar o testemunho ao novo Presidente da Câmara, Domingos Bragança apontou que “há questões que não dividem o poder político eleito vimaranense”, sendo uma delas a preservação do património edificado e imaterial, elogiando o Provedor José Couceiro da Costa.
O Secretário de Estado Adjunto da Presidência e Imigração interveio, enaltecendo a Instituição “que vai a caminho de meio milénio ao serviço de uma comunidade”. “Se no início começou com dois propósitos: o culto e a instrução, já há muito tempo tem propósito com a cultura, através da preservação dos Passos da Paixão de Cristo que pontuam a nossa Cidade, a monumentalidade do jardim e a magnífica igreja do início do século XVIII”, continuou Rui Armindp Freitas, destacando ainda o serviço social e o papel do Colégio de Nossa Senhora da Conceição, num discurso em que agradeceu “o trabalho, mérito e impacto que tem na comunidade”. “Todos juntos vamos perseguir aquilo que queremos para a monumentalização deste jardim”, afiançou, disponibilizando-se fazer o estiver ao seu alcance para que o futuro da Real Irmandade “continue a ser igual ou ainda mais grandioso do que o seu passado”.
Publicado em: 19/10/2025