O Vitória apresentou uma comunicação na Assembleia Geral da Liga Portugal em que defende o fim da proibição da venda de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios de futebol nacionais.
No texto apresentado aos clubes que marcaram presença na Assembleia Geral, o Vitória começou por argumentar que chegou o momento de trazermos para cima da mesa um tema, que apesar de antigo, permanece por resolver e, portanto, continua profundamente desajustado à realidade atual do desporto português”, concretamente a proibição da venda de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios de futebol, decorrente de uma legislação publicada há mais de quarenta anos.
O Vitória argumentou que o Decreto-Lei em questão “foi elaborado num tempo em que os estádios portugueses não tinham as condições de segurança, de conforto e de organização” e que “desde então, o futebol nacional transformou-se”, concretamente com a construção e modernização dos estádios, a implementação de sistemas de bilhética nominativa e controlo de acessos, a instalação de sistemas de videovigilância, o reforço dos efetivos de segurança pública e privada presentes e a profissionalização da organização dos jogos, que permitiram aos clubes ganhar “experiência internacional na gestão de grandes eventos.” Por isso, entende que “manter em 2025 uma proibição, pensada para um contexto social e desportivo dos anos 80, é um anacronismo.”
No texto a que o Grupo Santiago teve acesso, o Vitória defendeu a ideia de que “existem inúmeros estudos internacionais que demonstram que não há uma relação direta entre o consumo de bebidas de baixo teor de álcool e episódios de violência nos estádios de futebol.” Além disso, prossegue, “acresce um fator que no nosso entender não pode ser ignorado. Nos principais campeonatos europeus, a venda de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios representa uma parcela muito significativa da receita de “matchday”: Em Inglaterra, cada jogo da Premier League gera entre 175 mil e 350 mil euros; Na Alemanha, clubes da Bundesliga chegam a vender mais de 40 mil cervejas num único jogo, traduzindo-se em centenas de milhares de euros por jornada; O AZ Alkmaar, da Holanda, fatura mais de 6 milhões de euros por época desportiva apenas com a venda de cerveja no seu estádio que tem lotação de 20 mil pessoas.”
O Vitória acrescentou que “em Portugal, pelo contrário, além de os clubes ficarem privados dessa receita, os adeptos consomem no exterior do estádio — muitas vezes em condições menos controladas – quantidades significativas de bebidas espirituosas, de elevado teor alcoólico, incrementando assim o risco de violência no espaço público.”
Para a SAD liderada por António Miguel Cardoso, a realidade portuguesa, é, por isso, “incoerente”, uma vez que “em concertos, festivais de música, feiras populares ou até em recintos de outras modalidades desportivas, a venda de cerveja e cidra é uma prática comum.”
Neste contexto, o Vitória desafiou os “clubes e agentes do setor” a “lançar o repto à Assembleia da República para que este tema seja revisto, com equilíbrio e bom senso.” Assim, propôs “que a Liga Portugal, em conjunto com todos os clubes que aqui se fazem representar, subscreva uma petição pública a ser apresentada à Assembleia da República, pedindo que seja repensada a legislação em vigor e autorizada, de forma regulada, a venda de bebidas com baixo teor alcoólico, em todas as bancadas, dos estádios de futebol portugueses.”
“Não se trata apenas de alinhar com a Europa. Trata-se de coerência legislativa, de liberdade responsável, de modernização do nosso o nosso espetáculo desportivo e de valorização das receitas dos clubes, sem nunca comprometer a segurança dos adeptos. Acreditamos que, juntos, podemos dar este passo e contribuir para atualizar uma lei ultrapassada, adaptando-a à realidade do futebol e da sociedade portuguesa do século XXI”, finalizou a intervenção do Vitória.
Publicado em: 30/09/2025