As farmácias em Guimarães, à semelhança de todo o País, estão a enfrentar uma crescente escassez de medicamentos usados no tratamento da diabetes, cuja procura disparou e tem enfrentando problemas no abastecimento. A procura por alguns destes medicamentos disparou nos últimos meses, em parte devido ao uso fora da indicação médica, nomeadamente para emagrecimento.
Responsáveis de farmácias ouvidos pelo Grupo Santiago alertam que as embalagens disponíveis não são suficientes para dar resposta à procura, existindo já estabelecimentos que não conseguem fornecer a clientes que estão em listas de espera.
Luís Filipe Pereira, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), admite que a situação é complexa.
“Tem havido algum problema com matérias-primas, em algumas situações, fruto da conjuntura também internacional, a nível de guerra, dificuldades também às vezes nos próprios transportes. Os laboratórios têm tido alguma dificuldade no abastecimento de alguns medicamentos”, explica.
Segundo o responsável, as farmácias estão a realizar “todos os esforços para que as coisas se possam resolver”, juntamente com o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde -, que também tem um papel “muito importante” neste campo, para que o mercado nacional seja abastecido, pelo menos com marcas alternativas a alguns medicamentos que estão em falta.
“É um problema que está a afectar, nomeadamente, a União Europeia, que estará aqui um bocadinho a pagar a factura de alguma produção e alguma compra de matérias-primas a ser feita noutros mercados que não na própria União Europeia. E, portanto, com estas conjunturas de guerras fica mais difícil. Tem-se notado um agravamento nesta situação, nos últimos três anos, nomeadamente com a guerra na Ucrânia. Há muitos excipientes de medicamentos que vêm em cereais. No entanto, as entidades nacionais têm estado a tentar resolver de alguma maneira o problema, mas ele ainda está longe de estar resolvido”, alerta Luís Filipe Pereira, acrescentando que há “um problema nas cadeias de abastecimento e há um problema na procura”. “Em relação a determinadas áreas, também tem havido uma procura maior do que seria expectável”, defende.
Para tentar mitigar os efeitos da escassez no dia a dia dos utentes, a ANF recomenda o uso da linha telefónica 1400. Este serviço permite localizar farmácias com o medicamento em ‘stock ‘dentro de um determinado perímetro, evitando deslocações desnecessárias. “Em vez das pessoas andarem a telefonar para todas as farmácias ou andar a fazer quilómetros e a correr todas as farmácias, podem e devem socorrer-se desta linha”, conclui o dirigente.
Publicado em: 07/09/2025