O executivo vimaranense aprovou esta segunda-feira a proposta de revisão do Plano Diretor Municipal (PDM). O documento mereceu o voto favorável da maioria socialista no Executivo, enquanto PSD e CDS votaram contra, alegando que o plano não responde às necessidades “actuais e futuras” do concelho.
Ricardo Araújo, vereador do PSD, justificou o voto contra, sublinhando que a proposta “não responde aos principais desafios de Guimarães”. “Este PDM não responde aos desafios do presente e do futuro de Guimarães. Era fundamental aproveitar esta revisão para aumentar de forma significativa o terreno disponível para construção de habitação e para acolhimento empresarial. Não o fazendo, considero que é um mau PDM para Guimarães”, afirmou.
O social-democrata criticou ainda a falta de clareza sobre a reclassificação do solo urbanizável, que na revisão desaparece enquanto tipologia, passando a ser apenas urbano ou rústico.
“Era importante perceber que percentagem desse solo expectante passou para urbano e que percentagem passou para rustico. Essa resposta não foi dada com rigor”, apontou.
Ricardo Araújo acusou o Partido Socialista de ter conduzido um processo longo e incapaz de dar resposta à falta de habitação e à escassez de terrenos para investimento empresarial.
“Guimarães tem-se mostrado incapaz de atrair investimento, ao contrário dos concelhos vizinhos. O Partido Socialista demorou quase sete anos a concluir esta revisão, que considero uma perda de oportunidade para o concelho”, acrescentou.
Em declarações aos jornalistas, a vereadora do urbanismo, Ana Cotter, sublinhou que este é o “melhor plano” que poderia ser apresentado hoje, agradecendo a todos os intérpretes que participaram na revisão do documento.
O presidente da Câmara, Domingos Bragança, defendeu a revisão do PDM, destacando o rigor técnico e a importância de dotar o concelho de um documento estratégico actualizado.
“Este documento foi trabalhado durante muitos anos com muito rigor técnico e honestidade. Aumenta em mais 600 hectares o solo urbano, garantindo quase 7.000 hectares disponíveis para desenvolvimento”, destacou.
O Autarca Vimaranense sublinhou que o novo PDM é mais “flexível” do que o anterior, permitindo revisões pontuais e adaptações futuras, o que, na sua perspectiva, justifica a aprovação antes do final do atual mandato.
“Cumpri o compromisso com os vimaranenses. Guimarães precisava deste documento aprovado, porque muitos projectos estruturais dependem dele. Quem, no futuro, entender que o plano deve ser melhorado, terá instrumentos para o fazer”, afirmou.
Segundo o PDM apresentado pelo arquitecto Pedro Sousa, responsável pelo documento, a segunda revisão vai permitir aumentar a área urbana em mais de 10%, totalizando 6.823 hectares. O documento vai ser agora submetido à Assembleia Municipal.
Publicado em: 01/09/2025