Três escolas de Guimarães já têm miniflorestas autóctones nos seus recreios, criadas no âmbito do projeto “Miniflorestas, Grandes Impactos”, uma iniciativa de educação e investigação ambiental para a transformação do território, desenvolvida pelo Laboratório da Paisagem.
A EB1 Deserto (Prazins Santo Tirso), a EB1 Santa Luzia e o Centro Escolar de Ronfe foram os estabelecimentos abrangidos, numa actividade que envolveu mais de 600 participantes da comunidade escolar.
Em comunicado, o Laboratório da Paisagem realça que o projecto desenvolvido “com base no método de Miyawaki e integrando o programa municipal de Guimarães PEGADAS, contribui para o reforço da literacia ambiental e a adaptação do território às alterações climáticas.
“O projeto promoveu a plantação densa de espécies nativas em áreas subaproveitadas, convertendo-as em espaços multifuncionais de aprendizagem ao ar livre e contribuindo para a regeneração ecológica em contexto urbano. Esta iniciativa pretende contribuir para o aumento da conectividade ecológica e a adaptação do território às alterações climáticas”, indica.
No último ano letivo, o projecto integrou o programa de educação ambiental de Guimarães – PEGADAS, contando com financiamento do programa NOPLANETB, promovido pela AMI – Assistência Médica Internacional, com o apoio da União Europeia.
O “Miniflorestas, Grandes Impactos” teve como objetivos principais sensibilizar os mais jovens para a importância da biodiversidade e das florestas nativas, estimular atitudes ambientais responsáveis e envolver a comunidade educativa em ações práticas de reflorestação para a transformação do território.
“Cada escola dinamizou três sessões educativas dirigidas a 62 alunos do 1.º ciclo, que assumiram o papel de embaixadores do projeto. Estes alunos participaram em todas as fases, desde a exploração teórica sobre floresta autóctone até à cocriação e plantação das miniflorestas, acompanhando ainda a monitorização da biodiversidade”, refere o relatório da atividade.
Na fase de plantação, o projeto mobilizou 629 participantes, entre alunos, docentes, assistentes operacionais, famílias e representantes das juntas de freguesia. As áreas intervencionadas foram transformadas em miniflorestas e dotadas de estruturas de apoio à fauna, como caixas-ninho, abrigos para morcegos e hotéis de insetos, construídas em workshops comunitários durante o evento”Festa da Primavera”.
Foram ainda instalados bebedouros para aves, contribuindo para a atração de avifauna local e o reforço dos ecossistemas escolares.
Na sequência deste projecto, o Laboratório da Paisagem utilizou metodologia científica para avaliar alteração de comportamento e percepção de benefícios resultantes da sua implementação.
A avaliação do impacto foi realizada através de inquéritos antes e após as atividades, abrangendo alunos, docentes e encarregados de educação. Os dados revelam melhorias significativas ao nível do conhecimento e comportamento ambiental. A capacidade média dos alunos para identificar espécies autóctones de árvores aumentou de 1,1 para 3,9 espécies, e a compreensão do papel das florestas foi alargada, passando a incluir a regulação climática, o suporte à fauna e a saúde e bem-estar humano.
A ligação emocional dos alunos às ações de reflorestação também se intensificou: 89% referiram ter “adorado” a experiência de plantar árvores, face aos 54% registados no início do projeto. A perceção dos espaços verdes escolares também registou uma melhoria notável: 83% dos alunos classificarem-nos como “muito bons” após o projeto, face a 46% que o faziam previamente.
No que respeita à valorização da presença de uma floresta no contexto escolar, 90% dos alunos consideraram-na “muito importante” no final do projeto.
O impacto do projeto ultrapassou o contexto escolar estendendo-se à comunidade educativa e familiar. Os docentes identificaram mudanças comportamentais nos alunos, com destaque para o envolvimento de forma voluntária em ações de
reflorestação e interesse pela monitorização da biodiversidade.
Do lado das famílias, os dados recolhidos evidencia, uma forte transmissão intergeracional do conhecimento e da motivação: 96,3% dos encarregados de educação tomaram conhecimento da iniciativa através dos filhos, 85,2% referiram que as crianças
partilharam as experiências com entusiasmo, e 96,2% indicaram ter aumentado a sua sensibilidade e consciência relativamente à proteção das florestas.
As miniflorestas criadas integram agora o quotidiano escolar, funcionando como infraestruturas verdes educativas que promovem a aprendizagem ativa, observação ecológica e ligação à natureza.
O projeto demonstrou um elevado potencial pedagógico e comunitário, contribuindo para o desenvolvimento de competências ecológicas e para o reforço da literacia ambiental.
A iniciativa está alinhada com os objetivos estratégicos do Município de Guimarães nas áreas da ação climática, promoção da biodiversidade urbana e educação para a sustentabilidade, assumindo-se como um modelo replicável de regeneração ecológica em contexto escolar, com aplicabilidade noutros territórios.
Publicado em: 13/08/2025