O vimaranense Leandro Mendes está a trabalhar com Sá Pinto no Esteghlal, do Irão. Em entrevista ao DESPORTIVO de Guimarães conta o que o motivou para esta aventura.
O que o motivou a aceitar o convite do Sá Pinto para este desafio no Irão?: “A motivação principal foi, sem dúvida, o desafio profissional e a confiança demonstrada pelo mister Sá Pinto. Trabalhar com alguém com a dimensão do Sá Pinto, que já conheço e com quem partilho uma visão semelhante do jogo é sempre um factor decisivo. Além disso, o projecto apresentado mostrou-se aliciante em termos desportivos. A enorme dimensão do Esteghlal, um clube que quer ganhar todas as competições onde está inserido é sempre um desafio irrecusável. É também uma oportunidade de continuar com o meu crescimento pessoal enquanto treinador.”
E o que espera desta nova etapa da sua carreira?: “Espero continuar a evoluir como treinador-adjunto, aprofundar os meus conhecimentos e adaptar-me a novas realidades culturais e desportivas. Cada experiência traz aprendizagens únicas e esta etapa não será diferente. Pretendo contribuir de forma activa para o sucesso da equipa e crescer com os desafios que surgirem.”
Desde que saiu do Moreirense, em 2023, o Irão é o quarto país onde vai trabalhar. De alguma forma, a situação do país não condicionou a escolha?: “Naturalmente que me fez pensar, qualquer decisão profissional exige uma análise do contexto, e no Irão não foi diferente. No entanto, após ponderar alguns factores, como o desportivo (equipa de alto nível e com grandes objectivos), humanos (perceber a cultura do país) e logísticcos (contexto atual que o país atravessava), senti que o desafio era suficientemente sólido para avançar com confiança. Ainda por cima, o mister Sá Pinto já cá tinha estado e conhece bem a realidade, tinha fontes que asseguravam que o pós-conflito era totalmente seguro, não hesitei e disse que sim. A experiência internacional que tenho vivido tem sido enriquecedora e acredito que o Irão representará mais um passo importante no meu percurso. Devo também realçar que após as primeiras semanas aqui em Teerão vi uma cidade a viver uma vida normalíssima, as pessoas são muito amáveis, e tenho-me sentido muito bem.”
Depois de uma ligação tão longa ao Moreirense, o que tem ganho nestas experiências?: “Cada país e cada clube têm oferecido realidades distintas, que me obrigaram a sair da zona de conforto e a desenvolver competências técnicas, humanas e culturais. A experiência no Moreirense foi marcante, e é sem duvida o clube do meu coração. Nasci em Moreira, a minha família e os meus amigos de infância são de Moreia e a ligação será para sempre, mas estas novas vivências têm reforçado a minha adaptabilidade, a minha competência, a capacidade de liderança noutros contextos culturais, a leitura do jogo, o treino, as organizações e estruturas dos clubes sob diferentes perspectivas. Penso que aqui no Esteghlal será mais um acumular de experiências que me vão tornar mais competente e capaz, e pelo que tenho vivido nestes primeiros tempos devo confessar que tem sido uma agradável surpresa. Os jogadores são super profissionais e competitivos, o clube é bem organizado e as pessoas muito disponíveis e simpáticas.”
Está a trabalhar novamente com o Sá Pinto. Como cresceu esta ligação?: “A nossa ligação tem vindo a crescer de forma muito natural. Conheci o mister Sá Pinto no Moreirense, com quem na altura gostei muito de trabalhar, e o sentimento foi recíproco. Criamos nessa época laços que depois se foram mantendo no tempo. Ficou sempre uma vontade em colaborar na sua equipa técnica. Existem valores e formas de pensar o jogo, como vemos e estamos no treino, que são comuns, logo torna a parte profissional bastante mais fácil. Depois, pessoalmente, criamos uma relação de confiança. Nesta área pessoal, o Sá Pinto é uma pessoa com quem também me identifico muito, ele é um homem de personalidade forte e com valores que eu defendo, exigente e muito profissional, mas que depois também tem um lado muito humano, e é capaz de perceber muito bem as necessidades da sua equipa técnica e dos seus jogadores. Sou grato pela oportunidade que me está a dar e tenho a certeza que vai ser uma época fantástica.”
Nos últimos anos trabalhou fora de Portugal com o Ivo Vieira, Álvaro Pacheco e agora o Sá Pinto. Como é trabalhar com estes três treinadores?: “Não quero especificar nenhuma particularidade dos treinadores com quem trabalhei, nem me referir apenas a estes três treinadores, existiram muitos mais com quem tive o privilégio de trabalhar. Felizmente, ao longo do meu percurso profissional tive a sorte e felicidade de trabalhar com vários treinadores, todos eles com formas de liderar e de pensar o jogo e treino de distintas formas. Com cada um deles aprendi sempre alguma coisa, mas o principal que retenho de todos eles é a relação que se criou e o contributo que eles tiveram na minha formação pessoal e profissional.”
O que espera retirar destas experiências para o seu futuro?: “Espero continuar a construir um percurso profissional sólido, enriquecido por diferentes visões do futebol e contextos culturais. Estas experiências sem dúvida fortalecem a minha preparação para desafios futuros, nomeadamente no que diz respeito à liderança de grupos, ao planeamento estratégico e tomada de decisão sob pressão. Cada contexto é sempre um desafio, e sinto que todas as experiências passadas me estão a tornar cada vez mais competente, cada realidade coloca-me problemas diferentes que me obrigam a reformular e a pensar sobre o jogo e sobre o treino, portanto é e vai continuar a ser uma constante pesquisa sobre o saber fazer e o porquê das coisas no futebol.”
Acredita que no futuro, com estas experiências, pode passar a treinador principal?: “Para ser sincero, neste momento o meu foco é ser melhor e mais competente naquilo que faço, que é ser um bom adjunto, capaz de ajudar o meu treinador a tomar boas decisões. Mas sim, num futuro mais longínquo acredito que estas experiências contribuam significativamente para uma eventual transição para treinador principal. O conhecimento acumulado, a exposição a diferentes estilos e a convivência com técnicos de grande qualidade são sem sombra de dúvida, fundamentais para preparar esse passo, embora volto a repetir não é o meu principal foco nem o meu grande objectivo. O meu objectivo a curto prazo é ajudar o mister Sá Pinto a conquistarmos títulos aqui no Esteghlal, e continuar a aprender, aprender a ser cada vez mais competente, mais completo e com capacidade de perceber as necessidades dos jogadores e do jogo. É precisamente nisso que estou focado.”
Publicado em: 05/08/2025