Mais um “Passo da Paixão de Cristo” está restaurado, constituindo um exemplo de valorização do legado cultural vimaranense. O conjunto patrimonial situado junto à capela da Senhora da Guia, no centro da cidade de Guimarães, reabriu solenemente as suas portas, no domingo de manhã, numa cerimónia inserida na programação cultural comemorativa dos 430 anos da criação da Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e dos Santos Passos.
José Couceiro da Costa, Provedor da Instituição, elogiou e agradeceu à Câmara Municipal o apoio financeiro que permitiu a concretização integral do restauro, permitindo devolver à comunidade “o culto” a ele associado. “Muito mais do que a dimensão artística que este “passo” possa ter, a dimensão cultual é mais importante”, afirmou, ao destacar o cuidado e atenção que duas devotas – a D. Joaquina e a D. Nelinha – dedicam ao seu culto, permanente limpeza e asseio. “Isto não é para os turistas admirarem e tirarem a fotografia, o ‘paço’ serve em primeiro lugar para os cristãos ao contemplá-lo percebam as agruras da vida, da sua vida, buscando no exemplo de Jesus Cristo o meio de as ultrapassar”, continuou, ao dar conta que no próximo ano será celebrado o terceiro centenário da edificação do primeiro “Passo da Paixão” em Guimarães, em 1726, encontrando-se situado no Largo República do Brasil.
O Provedor da Real Irmandade anunciou que sob a coordenação de Manuela Alcântara, numa equipa que conta com Luísa Santos e António José Oliveira, será elaborada uma publicação que permita uma compreensão transversal a tudo o que diga respeito aos passos da Paixão de Cristo e à sua edificação em Guimarães. “Pretendemos perpetuar a dimensão artística e a dimensão litúrgica e religiosa destes oratórios”, justificou, manifestando o desejo de concluir dentro de dois anos a reabilitação integral dos cinco Passos da Paixão ainda existentes, dos sete originais”.
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A recuperação realizada exigiu um investimento de cerca de 40 mil euros, integralmente assumido pelo Município. O Presidente da Câmara expressou o agradecimento a todos os envolvidos na conservação do oratório do Passo da Paixão de Cristo, destacando a importância da conservação do património cultural, artístico e espiritual da cidade. “O que a Câmara Municipal deseja é que a cidade tenha o seu património bem conservado e reabilitado com autenticidade. Esta intervenção representa, antes de mais, um sinal do nosso compromisso com a preservação da arte sacra e do legado cultural que nos define enquanto comunidade”, observou Domingos Bragança, apelando à continuidade deste cuidado e preservação do património. “Precisamos ter o nosso património reconhecido, conservado e preservado”, assinalou.
O projecto de autoria do arquitecto Miguel Melo, contou com o precioso trabalho de restauro das imagens confiado a André Assis, enquanto a componente de carpintaria foi executada por Agostinho Silva.
Com a reabilitação deste «Passo», aguardam idêntica intervenção os «Passos» existentes na Rua de Santa Maria e no Largo da Misericórdia.
Estes cinco oratórios, como considera a historiadora Manuela Alcântara, permitem uma Via Sacra reduzida, partindo do Passo do Largo República do Brasil (Jesus cai sob o peso da Cruz), seguindo pelo Largo da Senhora da Guia (Jesus encontra sua Mãe), subindo a Rua de Santa Maria (Jesus cai pela segunda vez) até junto da Igreja do Carmo (Jesus consola as mulheres de Jerusalém) e terminando no Largo João Franco ou da Misericórdia (Jesus é despojado das vestes).
Publicado em: 14/07/2025