A exposição de desenho e pintura “Still Life”, com obras dos artistas Alexandra Jordão Pires e António Modesto, vai ser inaugurada esta sexta-feira, às 18h00, na Galeria de Exposições da Sociedade Martins Sarmento.
Os autores justificam que a escolha da expressão inglesa “Still life” para a designação da exposição, “em vez de “natureza-morta”, por melhor representar o sentido que os nossos desenhos perseguem: a tentativa de manter ou tornar vivo, pelo desenho, o que é realmente inanimado — o próprio desenho”.
“Sabemos que a natureza-morta tem sido tema recorrente na História da Arte. Encontramos essas representações na Antiguidade, enquanto elemento cénico integrado em murais, frescos ou mosaicos; no Renascimento, quando se autonomiza como género de pintura; na Europa do Norte, nos séculos XVI e XVII, quando a pintura de naturezas-mortas se afirma, passando a fazer parte dos ambientes burgueses flamengos. Apoiadas na consciência reformista da época, essas composições integravam elementos escolhidos pela sua carga simbólica, alegorias à mortalidade ou à vida, por exemplo, afastando assim a pintura dos temas religiosos”, sublinham.
“Este simbolismo foi dando lugar a representações de objetos mais exuberantes, pintados de forma mais realista, procurando mesmo efeitos ilusórios. Com a diversidade de estilos que se segue ao Romantismo, muitos foram os artistas que se dedicaram à temática da natureza-morta e a interpretaram segundo os seus modos de ver e fazer”, refere-se na apresentação. “Alguns, de forma exaustiva – como é o caso de Giorgio Morandi, cuja obra se confunde com o próprio discurso pictórico. Seguindo essa tradição, procurámos, cada um no seu modo expressivo de registo e técnica, apelar à poética que reside no representado mas, essencialmente, nas suas múltiplas declinações — quer do fazer, quer do ver. Foi esta ideia que nos uniu e que procurámos trabalhar em plena liberdade e autonomia, sem programa, submissões nem curadorias”, acrescentando, ao salientar que “o resultado é um diálogo de matéria visual plástica. Ainda assim, podemos observar plantas, frutas, taças, suportes ou cenários que são “meros” pontos de partida: desvios. Desvios esses que só a Arte aceita e valoriza”.
A exposição estará patente até ao dia 28 de setembro de 2025, no seguinte horário: terça a domingo, das 10h00-12h30 e das 14h30-17h30.
Publicado em: 11/07/2025