O Arquivo Municipal Alfredo Pimenta (AMAP) iniciou as comemorações do 94º aniversário com o lançamento do Boletim de Trabalhos Históricos 2025, numa sessão realizada na passada sexta-feira, ao final da tarde, na sala dedicada a Maria Adelaide Moraes existente naquela Instituição.
Os autores dos três estudos que colaboraram nesta edição do Boletim fizeram uma apresentação dos trabalhos realizados, perante mais de meia centena de pessoas que assistiram ao evento.
Com o artigo “O Mestre de Pedraria João Garcia (séculos XIV-XV)”, Manuela Alcântara deu a conhecer o último trabalho desenvolvido em parceria com o historiador e companheiro de vida Fernando Conceição, falecido no ano passado. Através da investigação efectuada em torno do percurso de João Garcia, mestre de pedraria dos séculos XIV-XV, figura de relevo na arte e arquitetura daquele período também conhecido como João Garcia de Toledo, fica-se a conhecer o artista que dirigiu a reconstrução joanina da Colegiada de Guimarães.
A historiadora passou em revista outras obras que lhe têm sido atribuídas, analisando criticamente os fundamentos de cada atribuição.
Fátima Dias apresentou um estudo da génese e estruturação civil da autoridade policial em Guimarães, com o artigo intitulado “Fardas de Polícia nas ruas de Guimarães: de força contestada a segurança desejada (1877-1937)”. A partir da criação do Corpo de Polícia Civil no distrito de Braga, em maio de 1877, a investigadora indicou que tal decisão “proporcionou uma reconfiguração na actuação das forças policiais, permitindo a expansão da sua intervenção para o espaço urbano no concelho de Guimarães. A presença da Polícia gerou sentimentos ambivalentes entre a população local, refletindo, não só uma tensão, mas também uma oscilação entre a aceitação e a resistência. O trabalho traça a evolução histórica e organizacional da Polícia em Guimarães no período compreendido entre 1877 e 1937.
Nesta edição, o investigador Vítor Emanuel Oliveira debruça-se sobre os “Crimes contra o Sagrado: os assaltos a espaços religiosos no concelho de Guimarães entre 1853 e 1926”, fazendo uma análise sobre assaltos a igrejas e outros espaços religiosos no concelho de Guimarães, ocorridos em períodos marcados por profundas transformações económicas, políticas, sociais e religiosas, desde os meados do século XIX até ao fim da Primeira República.
No final da sessão, a vice-presidente do Município destacou a importância da investigação histórica, gerando “mais conhecimento e compreensão de tudo o que nos trouxe até aqui”, num tempo marcado “pelas mudanças sociais, políticas e demográficas que Portugal vive”. “Guimarães está alinhada com todas estas alterações e tem hoje um número muito significativo de migrantes, de várias geografias, que alteram e enriquecem o nosso contexto. Da parte urbana às freguesias mais rurais assistimos a um novo povoamento, diferente, complementar e tratado com a dignidade que sempre tivemos por quem nos procura”, realçou Adelina Pinto, enaltecendo que o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta “é arquivo, é memória, mas é também democracia, por promover o acesso de todos a novo e velho conhecimento”.
Publicado em: 01/07/2025