A auditoria externa prometida à atribuição de subsídios por parte da Câmara Municipal de Guimarães voltou a ser tema quente na reunião de Câmara desta segunda-feira. O vereador do PSD, Bruno Fernandes, questionou o executivo socialista pela falta de concretização da auditoria anunciada em Setembro de 2024, apelando à sua realização urgente antes do fim do mandato.
Bruno Fernandes começou por recordar que a decisão de avançar com uma auditoria partiu do próprio Presidente e “não foi por pressão da oposição”. A medida visava, segundo o vereador, “dissipar dúvidas” relacionadas com subsídios atribuídos pela autarquia a associações e empresas municipais. No entanto, passados oito meses, Bruno Fernandes criticou o facto de a auditoria ainda não ter sido realizada, apesar do compromisso público assumido.
“Não temos conhecimento sequer que as auditorias foram realizadas. E percebemos hoje que não foram. Não foram por causa de uma inspeção da Inspeção-Geral de Finanças (IGF), que não substitui aquilo que foi anunciado”, afirmou. Para o vereador social-democrata, misturar a IGF com a prometida auditoria externa é um “erro de avaliação” que poderá comprometer a credibilidade do município e do próprio Presidente.
Bruno Fernandes sublinhou ainda que a realização da auditoria externa é fundamental não só para esclarecer dúvidas, como também para permitir ao Presidente “defender-se”, caso surjam eventuais críticas após o fim do mandato: “Se passar o mandato e vier depois uma auditoria com questões críticas, o senhor Presidente já não poderá responder enquanto Presidente da Câmara.”
A cerca de três meses do fim do mandato, e com as eleições autárquicas no horizonte, Bruno Fernandes alertou para o risco de o Presidente terminar o mandato com “dúvidas ainda em cima da mesa” e apelou a que o processo seja iniciado de imediato.
“Já estamos em tempo tardio. Na prática, dificilmente será possível realizar a auditoria com a profundidade necessária. Mas quem tem que assumir essa responsabilidade é o Presidente da Câmara”, concluiu o vereador do PSD.
Na resposta, Domingos Bragança garante que a auditoria será realizada. Confrontado pelas críticas da oposição, o Presidente da Câmara reafirmou que a auditoria externa vai mesmo avançar. O Edil explicou que o processo foi inicialmente suspenso devido à intervenção da IGF, que estaria a realizar uma inspeção de rotina relacionada com a atribuição de subsídios.
“No entanto, hoje mesmo, na reunião de Câmara, determinei que se deve avançar com a auditoria externa independentemente da IGF. O espaço está dado, a determinação mantém-se, e quero que se faça com uma entidade externa contratada em concurso público”, assegurou.
Domingos Bragança reiterou que a auditoria é importante para reforçar a transparência
Publicado em: 01/07/2025