Conhecer e compreender a riqueza do conjunto edificado onde está situado o Museu Alberto Sampaio (MAS), na sua evolução ao longo dos séculos associada à Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira e na relação com o restante núcleo urbano, são algumas das dimensões a explorar nos próximos três anos.
Em entrevista ao programa “Largo do Toural”, da Rádio Santiago, a nova directora do MAS, Maria de Lurdes Rufino, considerou desafiante e muito exigente a missão que abraçou para dar continuidade ao legado com “quase cem anos, sempre com excelentes diretores no Museu”, enaltecendo em especial as duas últimas direções, lideradas por Isabel Fernandes e Manuela Alcântara.
Pode ouvir a entrevista na íntegra AQUI:
“A riqueza do conjunto edificado vai além dos objectos que ele contém”
“Conheço e acompanho a atividade do MAS há mais de duas décadas, numa relação de proximidade, de interesse e de admiração pelo trabalho de uma grande equipa liderada pela anterior diretora Isabel Fernandes. Há cerca de ano e meio, tive a oportunidade de colaborar em proximidade com a Isabel Fernandes, num momento em que iniciei com mais profundidade esta ação de conhecer e pensar o Museu. Os museus têm permanentemente de estar a ser pensados, repensados, questionados, de forma a ser possível ponderar novos percursos, novas maneiras de estar na museologia”, disse, acrescentando: “estes desafios são oportunidades para que a reflexão possa acontecer”.
Neste contexto, a responsável justificou que uma das vertentes do Museu a explorar “é a dimensão do conjunto edificado, não só ao nível das colecções que ao longo de muitas décadas de existência, tiveram um olhar muito atento. É uma área que está bem consolidada e estruturada, o que me levou a apontar para outros voos, outros olhares e interesses”.
“A riqueza do conjunto edificado vai além dos objectos que ele contém; é quase como se o valor do ‘contentor’ fosse também a causa do valor e da qualidade dos objectos, dos seus ‘tesouros’; queremos perceber a evolução do edifício que tem uma história. Ao longo dos próximos três anos, o nosso olhar incidirá essencialmente sobre o conjunto edificado intimamente ligado à fundação de Guimarães, porque foi partir daqui que quase podemos dizer que surgirá a Cidade porque o Museu encontra-se no local onde em meados do século X Mumadona Dias estabeleceu o primitivo mosteiro duplex, a partir do qual se congrega uma população e dá origem à Colegiada, com um notável percurso histórico de séculos. É a importância e autonomia da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira que vai permitir a encomenda de obras artísticas ligadas ao culto religioso de alta qualidade aos melhores mestres de ourivesaria, por exemplo”, explicou a responsável, ao considerar que importa fazer esse levantamento exaustivo para “compreender e acrescentar” ao que já se conhece do Museu e do património edificado onde se encontra inserido, nas proximidades cerca da muralha e nas proximidades de uma das suas portas.
Destacando o reconhecimento do MAS no panorama cultural vimaranense, Maria de Lurdes Rufino realça que o Museu é um organismo vivo, aberto à comunidade, mantendo uma estreita relação com o Paço dos Duques de Bragança por ter a mesma tutela da entidade Museus e Monumentos Nacionais.
“Nos últimos ano, a direcção conjunta aproximou os museus em tudo o que eles se podem potenciar, na relação de parceria que terá continuidade, num enorme espírito colaborativo, de entreajuda, em que as mais valias de um poderão complementar as do outro”, apontou, lançando o convite a todos para conhecerem ou regressarem ao contacto com as colecções do Museu, onde até final de agosto poderá ser visitado até às 00h00, com mais uma edição do Museu à Noite, e apreciada a nova exposição temporária «Cintilações do Céu – Tesouros de arte sacra no seu contexto», na renovada sala do Capítulo.
Aliás, a diretora fez questão de informar que desde o ano passado, as pessoas portuguesas e estrangeiras, com número de contribuinte (NIF) e residentes em Portugal, podem visitar 37 museus, monumentos e palácios, de forma gratuita, 52 dias por ano e em qualquer dia da semana.
Esta medida está em vigor e veio substituir a anterior que apenas permitia a entrada sem custos aos domingos e feriados. Para se ter direito às entradas grátis, é preciso apresentar na bilheteira o documento de identificação e o número de contribuinte, na primeira visita que se fizer num determinado dia.
Ao longo desse dia, é possível visitar esse local, ou outro, as vezes que se quiser. Em cada entrada, só é preciso voltar a mostrar o documento de identificação e o número de contribuinte.
Ao todo, tem-se direito a 52 dias por ano de acesso grátis, à escolha entre dias de semana, fins de semana ou feriados.
Excerto do artigo que será publicado na edição do jornal O Comércio de Guimarães no dia 2 de julho de 2025.
Publicado em: 29/06/2025