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Sociedade Martins Sarmento evocou bicentenário da morte da poeta vimaranense Catarina de Lencastre

Bolama
Decatlon

A Direcção da Sociedade Martins Sarmento evocou os 200 anos da morte de Catarina de Lencastre, 1.ª Viscondessa de Balsemão, nascida em Guimarães, no dia de São Miguel, 29 de setembro, em 1749, tendo falecido a 4 de janeiro de 1824. 

“Poucos conhecem hoje uma poeta que honrou desde cedo o nome de seus pais, os Senhores de Vila Pouca, e em sua vida (1749-1824) marcou a vida literária em Portugal. Porque a esquecemos? Porque a lembramos? A maior parte das vezes, a memória, como o esquecimento, pouco tem a ver com a abundância ou a falta de mérito. Esquecemos e lembramos porque é fácil esquecer ou lembrar. E só por isso devemos rever regularmente a História que contamos”, expressa a Instituição

Decatlon

“A primeira razão para o seu esquecimento foi, com efeito, o facto de não a conseguirmos ler impressa. Catarina de Lencastre deixou quase toda a sua obra em manuscritos dispersos. Só em 2024 (200 anos depois da sua morte) se espera ver reparada esta falha, com a edição a publicar pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Conhecemos Bocage, Tolentino, Filinto Elísio (Francisco Manuel do Nascimento) – contemporâneos, interlocutores de Catarina de Lencastre nos salões literários. Mas conhecemo-los grande parte porque eles foram tendo a sorte, a necessidade ou a vontade de se verem impressos. Ao contrário deles, Catarina de Lencastre viveu aparentemente satisfeita com o facto de fazer e dizer poesia. Não cremos que tenha publicado em vida mais do que umas odes para incentivar os soldados portugueses a lutar contra os invasores franceses”, destaca.

“Uma segunda razão se pode evocar, ainda: a de Catarina de Lencastre ser uma mulher e, na época, serem pouco comuns as mulheres que publicavam. Não o desejavam, não o procuravam fazer, nem publicitar a sua obra manuscrita era bem visto. Conhece-se hoje a obra de Leonor de Almeida, amiga (“e rival”) de Catarina de Lencastre. Mas a própria Leonor de Almeida, Marquesa de Alorna, ficou depois conhecida só porque os seus filhos lhe imprimiram a obra, já em meados do século XIX. No século XVIII, a mulher era tradicionalmente silenciosa. Dava-se bem, quando muito, com palavras manuscritas ou volantes. E tantos outros manuscritos há ainda a revisitar nas nossas bibliotecas…”, continua, considerando que a poesia de Catarina de Lencastre surpreende pela sua “crescente intervenção política, a mordacidade das suas fábulas, a qualidade dos seus sonetos, a ousadia das suas odes, a pedagogia do seu teatro”.

Casada com Luís Pinto de Sousa (político proeminente, embaixador de Portugal em Inglaterra e depois Ministro do Reino), Catarina de Lencastre foi acompanhando muito de perto a evolução do Antigo Regime para o Liberalismo romântico: apoiou desde muito cedo a política pombalina, e ainda declamou poesias sobre a nova liberdade, ao lado de Almeida Garrett, nos palcos de Lisboa.

Dizia os seus poemas de improviso e em voz alta. E eram os familiares e amigos que quase sempre lhe recolhiam as palavras no papel. Morreu a ditar poemas ao padre que lhe tinha dado a extrema-unção: os primeiros poemas líricos que Catarina de Lencastre viu impressos foram os que saíram no jornal que noticiava a sua morte. Estranha e bela forma de morte a que anuncia ainda Vida: “Não me negues, Senhor, tua piedade!/ Tiraste-me do abismo da imprudência,/ Dá-me uma venturosa Eternidade!””.

Uma vida e obra que a Sociedade Martins Sarmento promete celebrar neste ano de 2024, em Guimarães.

 

Publicado em: 05/01/2024

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