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O momento político

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Acusam agora Rui Rio de falta de coragem. Logo o homem que não teve medo de enfrentar e destronar o vice-rei do Norte, Fernando Gomes, na Câmara do Porto.
Será já amanhã, quinta-feira, que ficará clarificada a posição do PSD acerca da sua actual liderança protagonizada pelo ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio.
Pouco mais do que 24 horas decorridas sobre o repto lançado para eleições directas, por Luís Montenegro, ex-líder do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República, convocou Rui Rio um Conselho Nacional para se submeter a uma moção de confiança, dando assim voz ao partido, através dos seus representantes no órgão mais importante entre congressos.
Sob o título “Ânsia do poder”, escrevi aqui, nesta mesma coluna de opinião, em Setembro passado, que nos primeiros tempos da minha participação cívica, a política para mim, não era muito mais do que um serviço prestado à comunidade em prol do bem comum.
Na verdade, o tempo viria a demonstrar-me que política não é bem apenas isso. Será, como alguém a já definiu, “a actividade humana do tipo competitivo que tem por objecto a conquista e o exercício do poder”, que muitas vezes, infelizmente, não ponderando meios e atitudes para o efeito, muito mal traz à democracia e ao país.
Cenas como estas, dos últimos dias, em que um grupo de perdedores das últimas eleições directas para a presidência do partido, órfãos do seu líder que finalmente concretizou a ameaça de há anos criando um novo partido, tentam em desespero de causa, assegurar os seus lugares no parlamento recorrendo a processos como este, assim o comprovam.
Gente, que desde o primeiro dia da sua derrota tenta, sistematicamente, de forma directa ou encapotada, pôr em causa o novo presidente do partido, tendo começado a fazê-lo antes mesmo de ele proceder à apresentação completa do seu projecto e da sua equipa.
Gente, para quem a política não parece ser a luta contra a pobreza, a injustiça, as desigualdades, a luta pela conquista da qualidade de vida, sobretudo para os mais deserdados da fortuna, mas antes o uso da dialética na luta obsessiva pela conquista do poder.
Gente, para quem, a focalização da imagem e o uso da retórica acaba por cegar e impossibilitar o objecto principal da acção política, que é o desenvolvimento do país.
Gente sem provas dadas na sua vida profissional ou empresarial e que no seu curriculum muito mais não consta do que a participação na actividade política e que agora, vendo chegar ao fim os seus lugares de deputados lutam desesperadamente para não terem que regressar à vida real e trabalhar no duro, como a generalidade dos portugueses.
Acusam agora Rui Rio de falta de coragem. Logo o homem que não teve medo de enfrentar e destronar o vice-rei do Norte, Fernando Gomes, na Câmara do Porto.
O homem que teve a coragem de enfrentar o todo-poderoso Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto, em vários processos judiciais e administrativos, em defesa dos interesses da Câmara do Porto a que presidia.
O homem que teve a coragem de moralizar a vida do seu partido nos tempos em que foi secretário geral, obrigando à refiliação de todos os militantes, enfrentado para isso alguns nomes sonantes e barões do partido, que ameaçavam com a saída, assim como alguns caciques que já na altura usavam o sindicato dos votos.
A sua resposta, dada no passado domingo, foi já considerada, em vários artigos de opinião, como uma das melhores intervenções políticas desde que assumiu a presidência do partido.
É de homens como este que o país precisa. Não daqueles que gostam de estar sempre na arena política, sempre ao ataque, tentando fazer-nos crer que tudo o que os adversários fazem está errado e que, por falta de estatura e maturidade política, facilmente sucumbem perante as devastadoras investidas dos interesses corporativos de grupos, sejam eles económicos, sindicais ou outros, permitindo, muitas vezes, a capturação dos interesses do Estado, deixando os contribuintes expostos, desguarnecidos e condenados ao precipício.
Que a luz do bom senso e o discernimento inteligente acompanhe os conselheiros na sua tomada de decisão, para bem da democracia e para bem de Portugal.
 
Guimarães, 15 de Janeiro de 2019
António Monteiro de Castro
 

Publicado em: 15/01/2019

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