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Plataforma das Artes

Bolama
Decatlon
Estive pessoalmente envolvido nos ante­cedentes do conteúdo da Plataformas das Artes e da Criatividade, o que resultou não só de solicitação nesse sentido, mas igualmente pelo gosto e interesse que há muito era o meu de que Guimarães fosse dotada de uma estrutura cultural no âmbito das artes plásticas, pois que para praticamente todas as demais artes, a nossa cidade estava já suficientemente dotada de infraestruturas bastantes, de qualidade e, para mais, geridas de modo a fazer delas corpos cheios de vida e cumpridores da função que lhes foi destinada.

Na verdade, o Centro Cultural de Vila Flor (CCVF) mostrou-se elemento da maior valia para as artes performativas, tais como concertos musicais, teatro, ópera (para o que pode considerar-se uma das melhores salas no país), bem como para conferências, congressos e eventos de natureza idêntica.
Está ainda, o CCVF dotado de espaços nos quais são possíveis exposições, com dignidade bastante, de artes plásticas, sobretudo pintura, espaços esses, todavia, exíguos, se os compararmos com a dimensão e potencialidades dos espaços que no Centro Cultural são os vocacionados para as artes performativas, conferências e congressos e semelhantes.
Uma outra estrutura de enorme valia, e, pela sua polivalência, soberbamente concebida para eventos da mais variada natureza – desportiva, musical, expositiva, política, científica – é o Pavilhão Multiusos, onde são possíveis eventos mul­titudinários, participados por milhares de pessoas, como têm sido os congressos partidários, profissionais, científicos, assim como as exposições temáticas – lembro apenas e a título de exemplo a Expo Clássicos, dedicada às viaturas automóveis de antanho, e a Expocasamento voltada para os serviços e preparativos para o casamento, incluindo inúmeros de moda para nubentes e exposições de produtos e serviços dos mais diversos sectores relacionados com o casamento – e, ainda mas não só, os espetáculos musicais de artistas apreciados por amplos setores populares, estando de momento previstos, para datas próximas, mais uma edição de cada uma das já referidas Expo Clássicos e Expocasamento, espetáculos dos cantores Tony Carreira, Mariza e Carolina Deslandes (esta em concerto de aniversário do Multiusos) a primeira edição do Guimarães Wine Fair, evento dedicado aos vinhos, com mais de 200 expositores e de 3.000 marcas do precioso líquido protegido do deus Baco e alegria frequente dos seus apreciadores, como o são, para além de mim próprio, quase todos os demais portugueses.
Regressando à Pla­taforma das Ar­tes, edifício de arqui­tetura notável, inter­nacionalmente premiada, refira-se ter essa es­trutura sido idealizada como polo dedicado às artes plásticas e seu entorno, tendencialmente vocacionado para, tal como Vila Flor e o Multiusos, atrair visitantes da região e para além dela, não falando já nos vimaranenses interessados e no interesse a despertar nos que ainda o não tenham.
Previu-se como ele­mento âncora as coleções de artes primeiras (expressão que nos meios da arte foi consagrado em detrimento da tida por desadequada “artes primitivas”) do artista vimaranense José de Guimarães, coleções aquelas de antiquíssimas e muito valiosas peças africanas, sul americanas e do extremo oriente, mor­mente chinesas, algumas antigas de milhares de anos antes do início da nossa era.
Com vista a tal foi uma boa parte do edifício adstrita ao que se chamou de Centro Internacional de Artes José de Guimarães (CIAJG).
Todavia, a programação e atividade da Plataforma das Artes, bem como a do CIAJG, não alcançaram os fins previstos, como é referido na recente decisão municipal, noticiada neste Jornal na sua edição de 12 de setembro, no sentido de, até final do ano em curso, promover a criação de um “grupo de reflexão” destinado à gestação de ideias suscetíveis de tornar a Plataformas das Artes suficientemente atrativa para que, continuando como entidade cultural vocacionada para contem­poraneidade, passe a ser suficientemente atrativa para cativar número de visitantes e usuários capaz de lhe dar a vida e animação que, ao ser criada, se projetou serem as suas.
Não foi casualmente que falei em “visitantes e usuários”, pois que a Plataforma merece bem como destino não ape­nas o de sítio de visita desejável para quem vem a Guimarães como turista, ou a outro título, dispondo, porém, de mo­mentos de lazer a serem aproveitados, mas também de usufruição, criando uma familiaridade proveitosa e constante entre ela e os que lhe estão mais próximos, que são os habitantes do nosso concelho e, mesmo, concelhos vizinhos, como entidade difusora do gosto pelas artes plásticas e pela sua prática.
Bem andou a Câmara Municipal ao decidir a promoção do “grupo de reflexão”, pois a Plataforma das Artes, tal como foi idealizada – falo com total e direto conhecimento de causa – está muito longe daquilo para que o foi, e encerra potencialidades para, efetivamente, se tornar numa referência no âmbito das artes plásticas contemporâneas, no que incluo a pintura, escultura e instalação modernas.
O meu desejo intenso é que efetivamente seja levada à prática a constituição do grupo de reflexão e que, do que refletido for, resulte o impulso que se espera faça da Plataforma das Artes e da Criatividade uma estrutura que não seja desmerecedora do gabarito a que nos habituaram o Centro Cultural de Vila Flor e o Pavilhão Multiusos, não esquecendo ainda a pista de atletismo Gémeos Castro e a mo­derníssima e altamente ecológica Academia de Ginástica, aquela desde há muito “mãe” de atle­tas de elevado nível e re­conhecimento e esta, apesar de recém-nascida, prometendo já a muitos dos que a frequentam – e são já mesmo muitos – virem a dar que falar.         
Guimarães, 02 de outubro de 2018
António Mota-Prego
(a.motaprego@gmail.com)  

Decatlon

Publicado em: 02/10/2018

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