“Por favor, não compre a minha casa”. O apelo feito por Ana Paula Guedes circula nas redes sociais e ilustra o drama de quem pagou o apartamento em que reside e está em vias de ter que o pagar novamente para que não seja vendido num leilão que on-line que começa esta quarta-feira e se prolonga até ao próximo dia 10.
Para perceber os contornos desta história, é preciso recuar a 1998. Nesse ano, o pai comprou à Sociedade de Investimentos Imobiliários Ldª, de Felgueiras, um apartamento T2, no edifício Panorama 3, que se encontrava a ser construído num edifício situado na Rua D. Cristóvão Sousa Ventura, na freguesia de Oliveira do Castelo. O respectivo contrato de compra e venda foi assumido pela filha, Ana Paula Guedes e a referida Sociedade. A escritura não foi prontamente assumida. A obra terminou e Ana Paula foi habitar o apartamento. O pai, entretanto, faleceu pouco tempo depois e Ana Paula não conseguia disponibilidade da Sociedade para oficializar o negócio.
Cerca de cinco meses volvidos, no final de um dia de trabalho, Ana Paula chegou a casa e nem queria acreditar no que viu quando se preparava para entrar em casa. Afixado na sua porta estava um edital que anunciada a venda da sua cassa. A Sociedade de Investimentos Imobiliários Ldª. estava em processo de insolvência e como não tinha realizado a escritura da compra da casa, o seu apartamento foi arrolado como bem da massa da falida.
"Naquele momento senti que eu e o meu pai tínhamos sido enganados pela Imobiliária", afirmou Ana Paula.
O que se seguiu foi um processo pelos tribunais. Viu reconhecido o direito de retenção do imóvel mas isso não chegou para colocar o apartamento a salvo. De nada lhe vale exibir um documento da Imobiliária que garante ter pago os 12.500 contos pelo apartamento.
"Na altura, o meu pai sabia que ia morrer e pagou a totalidade do valor", conta Ana Paula Guedes.
Nesta altura vive, novamente, com o "coração nas mãos". Recentemente, foi confrontada com o anúncio de que o seu apartamento estava à venda. Desta feita, devido a um processo que corre termos no Tribunal de Amarante.
"Não fui notificada do processo e agora a minha casa está novamente em perigo de venda em leilão", afirmou.
Ana Paula tem esperança de que isso não aconteça. Todas as suas esperanças estão nas mãos do Magistrado que vai decidir sobre o seu requerimento que pede que seja reconhecida a sua razão. Entretanto, espera que ninguém compre a sua casa. De contrário, admite recorrer a um empréstimo para comprar a sua própria casa.
O GuimarãesDigital contactou a Leilosoc para se pronunciar sobre o assunto mas até agora não obteve resposta ao e-mail enviado.
Publicado em: 21/10/2017