Um ano depois de termos revelado a “vinha fenómeno” de Joaquim Marques, situada na encruzilhada de Fermentões, Silvares e Ponte, na passada segunda-feira, regressamos para acompanhar novamente a colheita das uvas.
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A produção voltou a ser prodigiosa e, quem sabe, talvez supere a sensacional campanha do ano passado. "É o amor que tenho por esta vinha. Um amor que dá muito trabalho, que exige uma dedicação permanente e atenta durante todo o ano. Sem a colaboração da minha mulher e da minha filha, não conseguia", confessa, enquanto faz a visita guiada e comentada à vinha, onde os cachos de uvas brancas se entrelaçam uns nos outros.
No ano passado, a produção foi surpreendente e superou as expectativas e orientações dos entendidos. "Na Adega Cooperativa de Guimarães, disseram-me que um hectare de vinha num ano bom dava 15 pipas de vinho no máximo. Eu, neste terreno com sete mil 200 m2 tive 18 pipas e meia. Se a vinha tivesse um hectare teria 25 pipas de vinho!", revela, esboçando um sorriso de contentamento, enquanto pega num cacho e procura explicar o processo de maturação que as uvas conheceram durante o mês de Agosto, em que o calor que se fez sentir o obrigou a regar a vinha. "As videiras também têm sede", observa, enquanto decorre a vindima, em que os participantes colhem as uvas directamente para o cesto que depois será conduzido às tinas, em que será acondicionada a colheita que seguirá para a Adega. "Acredito que vou ter uma produção semelhante à do ano passado, talvez, até possa superar", prognostica, utilizando o velho adágio "até ao lavar dos cestos é vindima".
Com efeito, a vindima é sempre o momento mais esperado para quem se dedica à viticultura. "É uma festa e aqui faço questão que assim seja", continua, olhando para os amigos que o acompanham e que, a meio da manhã, suspenderam a colheita para o merecido farnel, servido numa mesa improvisada no reboque do trator.
A esposa, Ana Ribeiro segura na grande infusa e zela para que o vinho não falte nos copos de ninguém. "Ele gosta tanto disto que tenho de colaborar. Eu e as filhas! Porque a vinha dá muito trabalho! E sulfatar exige um grande esforço, mas o Senhor ajuda e veja lá se não é um regalo para os nossos olhos ver estes bagos tão douradinhos", diz, enquanto o marido e os amigos fazem uma pausa no lanche para pegarem na concertina, no tambor e nos ferrinhos, iniciando os acordes para a desgarrada que se seguiu.
O anfitrião da vinha afina a voz e lança o desafio, cantando: "já é um ditado antigo, o sumo sai das uvas, obrigado meus amigos, pelas vossas ajudas". De imediato, surge a reacção de um amigo, que entoa: "vim á vindima do Marques, que é um grande agricultor que agora apanha as uvas que dão o vinho do Senhor". E a resposta não se fez esperar, com o viticultor, a lançar os versos compostos de improviso: "eu até estou muito contente, em primeiro lugar, bom dia a toda a gente!".
A música quebra o silêncio do lugar e prolongava-se pelo dia fora, mas a vindima não podia esperar e urgia regressar à colheita das uvas. Isabel Marques, a filha de 25 anos, não poupa esforços às mãos. Com a ajuda de uma tesoura, com meia dúzia de cachos enche um cesto, num esforço que não cansa. "É um enorme orgulho colaborar com o sonho do meu pai. Ele arriscou e está a vencer, porque a produção supera as expectativas e a qualidade é excelente", assinalou, apontando para os os cestos e cestos de uvas, da casta loureiro, que serão confiados a Adega Cooperativa de Guimarães, onde serão transformados em vinho.
Publicado em: 20/09/2017