Desde o início do ano, alguns moradores do bloco habitacional localizado na Rua das Violetas, na Urbanização da Atouguia, desdobram-se em esforços para conseguirem que um apartamento situado naquele imóvel seja devidamente limpo e higienizado. Na residência de tipologia T5 vive apenas José Manuel, na companhia de três cães.
O caso é do conhecimento do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), da União das Juntas de Freguesia de Oliveira, S. Paio e S. Sebastião e da Câmara Municipal, instituições que garantem terem desenvolvido diligências em função das suas competências, sem que o problema tenha sido ainda resolvido.
Em causa está o apartamento do Bloco D, n.º 248 R/Ch Dt, onde reside um dos filhos da arrendatária que se encontra doente e a receber cuidados em casa de um familiar. "Este apartamento é um T5 e é muito grande para nós", observou, explicando que a mãe precisa de acompanhamento constante e, por isso, foi residir para casa da filha. "Mas, eu faço parte do agregado familiar dela, vivo neste apartamento há 32 anos. É muito grande, porque somos 10 irmãos e quando viemos para aqui tinha de ser uma casa grande. Agora, sou apenas eu e os meus cães", contou. "Já pedimos ao IHRU para nos arranjar um apartamento mais pequeno, um T1 ou T2", acrescentou, reconhecendo que não pode fazer do apartamento um canil.
"As duas cadelas vão esta semana para casa de um familiar porque assim tenho a possibilidade de as visitar. Elas estavam abandonadas e eu recolhi-as, trato delas, dou-lhes de comer, arranjo medicamentos quando elas estão doentes e elas são felizes, não se vê?", interroga, vincando: "comprometi-me com o Sr. Presidente da Junta que ia resolver a situação dos cães. Vou ficar apenas com o Bolas, o Bolinhas, cão que estava abandonado, doente, e que não consegui deixá-lo na rua. Trouxe-o para casa e tratei-o, está velhinho, mas é bom companheiro e não o posso deixar", continuou.
Quanto às queixas de insalubridade, José Manuel responde: "sou homem, os 150 euros do Rendimento Mínimo mal chegam para as despesas. Umas vezes limpo, outras não. A casa é muito grande, não tenho ninguém a ajudar-me. O que queria era troca por troca, ter uma casa mais pequena e viver com o meu cãozinho que não abandono por nada", assegurou, ao referir que vai causar-lhe sofrimento desligar-se da Violeta e da Dália, as duas cadelas que o acompanham.
O IHRU garantiu que, esta quarta-feira, uma técnica de serviço social do Instituto virá a Guimarães para inteirar-se da situação do morador na habitação situada na Rua das Violetas. A informação foi prestada ontem à tarde por fonte da Direcção de Gestão do Norte.
(Excerto da notícia publicada na edição desta quarta-feira do jornal O Comércio de Guimarães)
Publicado em: 12/10/2016