O ex-presidente do Vitória, Emílio Macedo da Silva, admitiu, na primeira sessão do julgamento no qual é arguido, que deixou o clube com dívidas tributárias ao Estado.
O antigo dirigente vitoriano compareceu ao Tribunal Judicial de Guimarães para responder a uma acusação de crime de abuso de confiança fiscal, após ter falhado, enquanto presidia ao clube, a entrega de uma prestação do IRS, de Julho de 2011, e de duas do IVA, referentes a Agosto de 2011 e a Fevereiro de 2012, altura em que se demitiu do cargo, num valor total superior a 500 mil euros.
Emílio Macedo reconheceu em tribunal que, quando se demitiu da presidência do Vitória, a 6 de fevereiro de 2012, deixou o clube com dívidas ao Fisco e quatro meses de salários em atraso aos jogadores da equipa de futebol. O arguido alegou que a situação financeira do clube se deteriorou a partir de junho de 2011, quando um acordo previsto com a empresa Gestifute, de Jorge Mendes, para a venda de cinco jogadores por uma verba de seis milhões e meio de euros não se concretizou.
O antigo presidente do Vitória acrescentou que as dificuldades em gerir o clube tornaram-se cada vez maiores até ao final de 2011, obrigando a direção a falhar os prazos de pagamento ao Estado para pagar "água, luz e alguns funcionários que tinham necessidades", mantendo a atividade regular do clube. As "poucas receitas", esclareceu, provinham dos jogos e das transmissões televisivas, entretanto antecipadas até ao final da época 2011/12, assumindo que foi, depois, ao Dubai para negociar com um fundo de investimento um empréstimo de 12 milhões de euros que não se viria a concretizar, motivando a sua demissão, bem como a da restante direção.
O vice-presidente da direção de Emílio Macedo para o futebol, Paulo Pereira, foi uma das testemunhas e revelou que os jogadores se queixavam frequentemente dos salários em atraso, obrigando o presidente a "dar a cara" e a garantir que as coisas se resolveriam.
Já o vice-presidente da altura para o património e responsável pela organização dos jogos, Alberto Oliveira, testemunhou antes da interrupção da sessão, referindo que o ex-dirigente é "uma pessoa séria e honesta" e culpando o ambiente "péssimo" proporcionado pela massa associativa nessa fase.
O julgamento de Emílio Macedo da Silva e do vice-presidente dessa direção para a área financeira, Luciano Baltar, prossegue no dia 20.
Publicado em: 13/04/2016