A polémica provocada pela portaria que classifica os hospitais e as possíveis consequências para o Centro Hospitalar do Alto Ave, dominou a sessão da Assembleia Municipal de ontem.
Os partidos de esquerda acusaram o Governo de economicismo e, por via da portaria, pretender retirar valências ao Hospital de Guimarães. PSD e CDS desdramatizaram e garantiram que a unidade hospitalar não vai perder nenhuma das suas actuais especialidades. Inconformado com os termos da portaria, o PS apresentou uma moção onde pede a sua revogação. O PSD reagiu e pela voz de Luís Cirilo apelou ao consenso com uma proposta que aponta para a defesa da criação do Centro Hospitalar do Ave, juntando as unidades de Guimarães e Famalicão, tal como já publicamente defendeu o Presidente da Câmara.
A resposta surgiu por Domingos Bragança que esclareceu não abdicar de ver alterada ou mesmo revogada a portaria 82/2014, separando esta questão do hipotético Centro Hospitalar do Ave.
Rui Barreira, do CDS, também acusou Domingos Bragança de não ter procurado o consenso, recordando o que aconteceu há três anos, tendo como protagonista o então presidente António Magalhães e também por causa do Hospital.
Na discussão ficou expressa a ideia de que o alcance da portaria tem por objectivo rentabilizar a parceria público privada do Hospital de Braga, contexto aproveitado pelo socialista João Torrinha para lembrar que quem apadrinhou a referida PPP foi a coligação PSD-CDS através de Bagão Félix e Luís Filipe Pereira, em 2004.
Contra os termos da portaria e na defesa dos interesses dos vimaranenses, fez-se ouvir Mariana Silva, da CDU, que falou em “roubo” de valências ao Hospital de Guimarães.
Joaquim Teixeira do Bloco de Esquerda considerou que este processo é uma “trapalhada” com graves consequências para os vimaranenses, tendo ainda acusado a maioria PSD-CDS de ter impedido a ida do Ministro da Saúde ao Parlamento para ser questionado sobre a portaria.
No culminar da discussão, o Presidente da Câmara revelou que está a trabalhar com o seu homólogo de Famalicão sobre a possibilidade de criar o Centro Hospitalar do Ave:
A sessão da Assembleia Municipal prossegue esta terça-feira para discutir 15 pontos de uma extensa agenda que não se esgotou ontem.