Foi uma derrota inglória. O Vitória perdeu com o Benfica por duas bolas a uma. O Benfica foi o primeiro a marcar. O Vitória empatou ainda na primeira parte, através de um golo de Targino, mas no segundo tempo concedeu o empate.
Um desvio involuntário de Moreno a remate inofensivo de Simão traíu Paiva e, consequentemente, um Vitória que merecia não sair derrotado do Estádio da Luz. À excepção dos encontros frente ao Wisla, Jaime Pacheco viu a sua equipa protagonizar, claramente, a melhor exibição da temporada, o que servirá de tónico para uma recuperação que – debalde a derrota – parece estar em marcha e tem condições de ser efectivada.
Sobretudo no primeiro tempo, voltou a ver-se um Vitória de personalidade forte, autoritário a defender e, mais do que isso, extremamente acutilante e perigoso no ataque. Até ao golo inaugural do Benfica, obtido na sequência de um livre, a equipa amordaçou a débil organização ofensiva encarnada e estendeu-se no terreno, com Targino desde cedo a atormentar os defesas adversários. Mas a melhor fase vitoriana havia de surgir exactamente após a desvantagem. Com um futebol enleado e assente na espantosa qualidade técnica de Benachour, o Vitória ameaçou chegar ao empate porque remeteu o Benfica para zonas recuadas. Dois minutos após o golo, Benachour arrancou um cruzamento da esquerda que apanhou um remate acrobático e espectacular de Targino só parado por uma defesa sensacional de Moreira. Aos 30, Svard obrigou o guarda-redes a mais uma intervenção complicada e, praticamente na mesma jogada, Benachour enviou a bola à barra! Era o prenúncio do que acabaria por suceder três minutos depois. Benachour rasgou para a direita, onde Mário Sérgio cruzou primorosamente para a entrada em salto de peixe de Targino. Estava feita justiça.
Até ao intervalo, é verdade que o Vitória teve de suportar a reacção benfiquista, mas antes do apito pertenceria a Benachour o último lance de apuro. O internacional tunisino atirou para golo mas o remate foi travado por mais uma defesa atenta de Moreira.
O segundo tempo abriu com o Benfica mais determinado e a falhar uma clara oportunidade pelo capitão Simão. Um lance, apesar de tudo, esporádico, porquanto o Vitória mantinha a solidez defensiva e não passava por grandes calafrios. Até que chegou o lance determinante, com Simão a ultrapassar Pintassilgo junto à linha, a flectir para a área conforme gosta e a desferir um remate que, percebia-se, seria inofensivo não fosse o desvio fatal de Moreno…
O Benfica chegava com felicidade ao golo do triunfo. Jaime Pacheco ainda tentou tudo no sentido de readquirir o empate – o último lance acabou na área encarnada – mas neste período foi notória alguma quebra física resultante de dois dias de descanso a menos que o adversário.
Na retina ficou, contudo, uma excelente impressão. O Vitória já surgiu enleado, a jogar com regras definidas e com jogadores que claramente estão a subir de rendimento. O descanso de uma semana vai possibilitar a recuperação de mais alguns jogadores fundamentais e, logo a seguir, há um escaldante jogo com o Nacional. Não pelo adversário em si mas antes porque acontecerá o regresso de Manuel Machado a Guimarães.
Nuno Almeida esteve mal do ponto de vista disciplinar, prejudicando claramente o Vitória. Léo conseguiu sair do campo sem ter visto, pelo menos, um amarelo e fatou-se de incorrer em faltas grosseiras. Esse é apenas um exemplo paradigmático.
LOCAL: Estádio da Luz (Lisboa)
Árbitro: Nuno Almeida (A.F. Algarve)
Auxiliares: Carlos Nilha e José Chilrito
Cartões amarelos: Neca (45), Svard (86), Mário Sérgio (87), Dragoner (90+1)
Resultado ao intervalo: 1-1
Golos: 1-0, Miccoli (19), 1-1, Targino (33), 2-1, Simão (68)
BENFICA: Moreira, Nélson, Luisão, Ricardo Rocha (Anderson 36), Léo, Manuel Fernandes, Petit, Simão, Geovanni (Karagounis 66), Nuno Gomes e Miccoli (Mantorras 83)
Treinador: Ronald Koeman
VITÓRIA: Paiva, Mário Sérgio, Dragoner, Medeiros, Hélder Cabral, Svard, Moreno (Paulo Sérgio 80), Neca (Pintassilgo 61), Benachour, Targino (Dário 65) e Saganowski
Treinador: Jaime Pacheco
Publicado em: 03/10/2005